{"id":20985,"date":"2024-05-25T07:03:29","date_gmt":"2024-05-25T10:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=20985"},"modified":"2024-05-27T07:05:17","modified_gmt":"2024-05-27T10:05:17","slug":"78-dos-municipios-que-sediam-escolas-medicas-nao-possuem-a-infraestrutura-adequada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/78-dos-municipios-que-sediam-escolas-medicas-nao-possuem-a-infraestrutura-adequada\/","title":{"rendered":"78% dos munic\u00edpios que sediam escolas m\u00e9dicas n\u00e3o possuem a infraestrutura adequada"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portal.cfm.org.br\/noticias\/78-dos-municipios-que-sediam-escolas-medicas-nao-possuem-a-infraestrutura-adequada-para-a-formacao-dos-profissionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CFM<\/a><\/p>\n<p>Quase 80% dos 250 munic\u00edpios que sediam escolas m\u00e9dicas no Pa\u00eds apresentam d\u00e9ficit em par\u00e2metros considerados essenciais para o funcionamento desses cursos. As lacunas incluem n\u00fameros insuficientes de leitos de interna\u00e7\u00e3o, de equipes da Estrat\u00e9gia Sa\u00fade da Fam\u00edlia (ESF) e de hospitais de ensino. Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), essas estruturas devem estar presentes nessas localidades, favorecendo a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 forma\u00e7\u00e3o adequada dos futuros profissionais. Sem essa disponibilidade, a qualidade do ensino fica comprometida.<\/p>\n<p>Os problemas afetam 196 cidades, que, juntas, abrigam 288 estabelecimentos de ensino superior de medicina, o que corresponde a 31 mil mil vagas (71% das 43 mil existentes no Pa\u00eds). Em outras palavras, das 390 escolas em funcionamento, um total de 288 est\u00e3o em \u00e1reas cuja infraestrutura n\u00e3o suporta sua presen\u00e7a. As informa\u00e7\u00f5es fazem parte de um relat\u00f3rio elaborado pelo CFM que tra\u00e7a uma radiografia completa das escolas m\u00e9dicas no Brasil.<\/p>\n<p>Para permitir o melhor monitoramento dessa evolu\u00e7\u00e3o no ensino m\u00e9dico, o CFM disponibilizou os dados dessa radiografia no formato de dashboards dispon\u00edveis na plataforma\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiZjZmNWNjYzgtOGM5ZS00Y2YxLWIyM2MtNTY1YmQxMjcwMWViIiwidCI6ImRjMjIwMjQ0LTk5NTEtNDQ1NS1hN2Q5LWYwNWQwZTA3MzFmZCJ9\">Radiografia das Escolas M\u00e9dicas (ACESSE AQUI)<\/a><\/strong>. Nela, o interessado tem informa\u00e7\u00f5es detalhadas e atualizadas sobre o sistema de forma\u00e7\u00e3o em medicina no Brasil. Trata-se de ferramenta, \u00fatil para m\u00e9dicos, educadores, pesquisadores, gestores e o p\u00fablico em geral, facilitando a compreens\u00e3o de din\u00e2micas e tend\u00eancias da \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Alarmantes \u2013<\/strong>\u00a0Os dados s\u00e3o alarmantes e in\u00e9ditos. De acordo com normas defendidas pelo Conselho e outras entidades m\u00e9dicas nacionais, os munic\u00edpios que sediam escolas de medicina deveriam ter, pelo menos, cinco leitos p\u00fablicos para cada aluno; ter, no m\u00e1ximo, tr\u00eas alunos para cada equipe ESF; e possuir, ao menos, um hospital de ensino ou unidade hospitalar \u201ccom potencial para hospital de ensino\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, a dist\u00e2ncia \u00e9 grande entre o ideal defendido pelas entidades m\u00e9dicas e o que se materializa em cada localidade. Em 196 munic\u00edpios (78%) que possuem escolas m\u00e9dicas n\u00e3o h\u00e1 n\u00famero de leitos suficientes capaz de atender a raz\u00e3o preconizada. Um total de 112 localidades (46%) tem mais alunos nas equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia do que o recomendado; e 179 (72%) n\u00e3o disp\u00f5em de hospital de ensino.<\/p>\n<p>Do conjunto de 390 escolas, 111 est\u00e3o em munic\u00edpios que n\u00e3o atendem os tr\u00eas requisitos m\u00ednimos; 191 est\u00e3o em localidades que n\u00e3o atendem pelo menos dois dos itens apontados como fundamentais pelos m\u00e9dicos; e 197 n\u00e3o respondem a um dos crit\u00e9rios recomendados. Isso implica dizer que metade das escolas m\u00e9dicas brasileiras est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de desconformidade com o padr\u00e3o-ouro defendido pelo Conselho Federal de Medicina.<\/p>\n<p><strong>Itabuna \u2013<\/strong>\u00a0Para sanar apenas a dificuldade de acesso \u00e0s unidades de interna\u00e7\u00e3o hospitalar, oferecendo aos alunos a propor\u00e7\u00e3o correta de leitos para a forma\u00e7\u00e3o adequada, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) deveria criar, pelo menos, 50 mil leitos. Por outro lado, deveriam ser instalados cerca de 180 hospitais de ensino. Itabuna, na Bahia, \u00e9 o retrato do que acontece em boa parte do Pa\u00eds. Ela foi a \u00faltima localidade a receber uma institui\u00e7\u00e3o de ensino em medicina.<\/p>\n<p>A cidade, que j\u00e1 tinha uma escola m\u00e9dica e oferecia 149 vagas, acabou de receber mais uma nova faculdade (outras 64 vagas). Contudo, o munic\u00edpio n\u00e3o tem nenhum hospital de ensino, oferece somente 2,36 leitos de interna\u00e7\u00e3o no SUS por aluno (d\u00e9ficit de 562 leitos) e disp\u00f5e de quantidade insuficiente de equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia: s\u00e3o 4,26 alunos para cada equipe (d\u00e9ficit de 21 equipes).<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>\u2013 Para o CFM, o processo de forma\u00e7\u00e3o fica comprometido, pois a medicina, ao contr\u00e1rio de outras atividades, depende de campos de pr\u00e1tica para completar o ciclo de ensino-aprendizado. \u201cContra distor\u00e7\u00f5es, n\u00f3s, do CFM, recomendamos que os crit\u00e9rios que defendemos sejam abra\u00e7ados como regra r\u00edgida. Lembro que eles j\u00e1 foram, inclusive, adotados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o por d\u00e9cadas, at\u00e9 2013, quando come\u00e7aram a ser flexibilizados para permitir o avan\u00e7o de cursos que testemunhamos\u201d, afirma o presidente do Conselho, Jos\u00e9 Hiran Gallo.<\/p>\n<p>Segundo ele, a disponibilidade dos leitos de interna\u00e7\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o correta permitir\u00e1 o desenvolvimento de habilidades semiol\u00f3gicas e semiot\u00e9cnicas entre os alunos; a maior compreens\u00e3o dos problemas de sa\u00fade por conta da inser\u00e7\u00e3o nas Equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia; e o aprofundamento em t\u00f3picos espec\u00edficos, em \u00e1reas como, cl\u00ednica m\u00e9dica, cl\u00ednica cir\u00fargica, pediatria, sa\u00fade mental, ginecologia e obstetr\u00edcia, por conta da frequ\u00eancia em Unidades de Sa\u00fade-Escola que oferecem ambulat\u00f3rios de especialidades.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, as cidades t\u00eam que oferecer servi\u00e7os de pronto-atendimento, aten\u00e7\u00e3o psicossocial ou maternidades. N\u00e3o \u00e9 isso que vemos. Isso causa preju\u00edzos a todos, pois a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos \u00e9 quest\u00e3o essencial para a excel\u00eancia e seguran\u00e7a na assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade\u201d, o conselheiro J\u00falio Braga, coordenador da Comiss\u00e3o de Ensino M\u00e9dico do CFM.<\/p>\n<p><strong>Abertura indiscriminada<\/strong>\u00a0\u2013 A radiografia das escolas m\u00e9dicas no Brasil mostra, al\u00e9m de falta de infraestrutura adequada nos locais onde est\u00e3o instaladas, o aumento desenfreado no n\u00famero de faculdades e de vagas nos \u00faltimos anos. O trabalho constatou que, desde 2010, foram criadas 210 novas escolas m\u00e9dicas em todo o territ\u00f3rio nacional (150 particulares e 60 p\u00fablicas). Esse n\u00famero \u00e9 superior ao total de escolas inauguradas em mais de 200 anos.<\/p>\n<p>Entre 1808 e 2010, foram 180 unidades. Hoje, existem 390 escolas m\u00e9dicas em atividade no Brasil, distribu\u00eddas em 250 munic\u00edpios, as quais, juntas, oferecem cerca de 42 mil vagas por ano. O Pa\u00eds j\u00e1 conta com cerca de 600 mil m\u00e9dicos em atividade, o que d\u00e1 uma m\u00e9dia por habitante superior ao verificado, por exemplo, no Jap\u00e3o, Estados Unidos, China, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia e Coreia do Sul.<\/p>\n<p><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Das 390 escolas m\u00e9dicas do Pa\u00eds, 35% (136) s\u00e3o p\u00fablicas e 65% (253), privadas. H\u00e1 uma grande concentra\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es com maior desenvolvimento socioecon\u00f4mico: 215 (55%) est\u00e3o localizadas nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul, onde j\u00e1 h\u00e1 grande quantitativo de m\u00e9dicos por habitantes. Al\u00e9m disso, 70% dos 253 cursos privados ficam nesses seis estados e mais Santa Catarina.<\/p>\n<p>O mesmo processo de privatiza\u00e7\u00e3o verificado na quantidade de escolas m\u00e9dicas ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de vagas nos cursos de medicina. No per\u00edodo de 2003 a 2022, a taxa de crescimento m\u00e9dio de vagas p\u00fablicas foi de 3,1% por ano. Em contraste, a taxa de crescimento de vagas privadas no mesmo per\u00edodo foi de 7,3% por ano, ou seja, mais que o dobro.<\/p>\n<p>\u201cEssa corrida de mercado tem nos deixado em alerta. O CFM defende a exig\u00eancia de crit\u00e9rios de qualidade no processo de abertura de novas escolas e vagas. Outro ponto que merece reflex\u00e3o \u00e9 o argumento usado pelos gestores de que a abertura de cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina fixa os egressos nas localidades onde se formam. A experi\u00eancia e os dados nos mostram que isso n\u00e3o acontece. Geralmente, esses alunos migram para os grandes centros ou \u00e1reas mais desenvolvidas em busca de avan\u00e7os na forma\u00e7\u00e3o ou melhores oportunidades de emprego\u201d, resume o conselheiro Donizetti Giamberardino, que supervisionou a elabora\u00e7\u00e3o da Demografia M\u00e9dica CFM 2024, recentemente lan\u00e7ada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM Quase 80% dos 250 munic\u00edpios que sediam escolas m\u00e9dicas no Pa\u00eds apresentam d\u00e9ficit em par\u00e2metros considerados essenciais para o funcionamento desses cursos. 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