{"id":20005,"date":"2023-06-05T14:27:13","date_gmt":"2023-06-05T17:27:13","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=20005"},"modified":"2023-06-05T14:27:13","modified_gmt":"2023-06-05T17:27:13","slug":"nota-tecnica-acesso-venoso-central-em-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/nota-tecnica-acesso-venoso-central-em-criancas\/","title":{"rendered":"NOTA T\u00c9CNICA: ACESSO VENOSO CENTRAL EM CRIAN\u00c7AS"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 5 de junho de 2023<\/p>\n<p>Veias s\u00e3o fr\u00e1geis e t\u00eam um di\u00e2metro pequeno nas crian\u00e7as. Pun\u00e7\u00f5es venosas perif\u00e9ricas rotineiras com cateteres curtos tendem a uma durabilidade limitada: crian\u00e7as pequenas t\u00eam um entendimento limitado do equipamento, sua necessidade e cuidados necess\u00e1rios para a manuten\u00e7\u00e3o. Pun\u00e7\u00f5es em crian\u00e7as despertas s\u00e3o dif\u00edceis e traum\u00e1ticas para a crian\u00e7a, a fam\u00edlia e os profissionais de sa\u00fade. Acessos venosos pedi\u00e1tricos precisam ser muito bem cuidados e monitorados. A necessidade de acesso venoso prolongado deve ser prevista e planejada desde a admiss\u00e3o da crian\u00e7a numa unidade hospitalar.<\/p>\n<p>Os cateteres epicut\u00e2neos (PICC), um tipo de cateter venoso central com menor risco e maior durabilidade, s\u00e3o inseridos atrav\u00e9s da pun\u00e7\u00e3o de uma veia perif\u00e9rica. Por causa disso, a previs\u00e3o quanto \u00e0 necessidade do uso e o planejamento da inser\u00e7\u00e3o precisam ser precoces: os vasos perif\u00e9ricos precisam ser \u201cpoupados\u201d com este fim. S\u00e3o bons exemplos crian\u00e7as portadoras de osteomielites e neonatos apresentando malforma\u00e7\u00f5es de trato digestivo.<\/p>\n<p>A alternativa, que \u00e9 o implante de um cateter venoso central, pode ser dif\u00edcil, oferece alguns riscos e sempre exige anestesia, seja para acessos cir\u00fargicos (dissec\u00e7\u00f5es de veias), pun\u00e7\u00f5es de grandes vasos cervicotor\u00e1cicos ou em membros inferiores. As complica\u00e7\u00f5es podem ser s\u00e9rias, inclusive fatais, embora isto n\u00e3o seja comum.<\/p>\n<p>Cateteres venosos centrais podem ser necess\u00e1rios para monitoramento, infus\u00e3o r\u00e1pida de fluidos ou administra\u00e7\u00e3o de medicamentos espec\u00edficos (vasopressores, quimioter\u00e1picos, nutri\u00e7\u00e3o parenteral), mas a maior demanda \u00e9 em crian\u00e7as com necessidade prolongada de acesso venoso que tiveram a rede venosa perif\u00e9rica esgotada depois de m\u00faltiplos acessos, em especial pacientes que necessitam de antibioticoterapia endovenosa prolongada ou aqueles que j\u00e1 sofreram m\u00faltiplas interna\u00e7\u00f5es. O implante de cateteres venosos centrais em crian\u00e7as aumentou muito em frequ\u00eancia, em especial em neonatos, o que \u00e9 consequ\u00eancia de uma boa not\u00edcia: a taxa de sobreviv\u00eancia de beb\u00eas prematuros e de baixo peso ao nascer melhorou muito, mas eles exigem cuidados prolongados em UTI, usam nutri\u00e7\u00e3o parenteral por um prazo longo e t\u00eam um risco alto de sepse perinatal.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o de cateteres venosos centrais em crian\u00e7as, especialmente em neonatos, exige cateteres com dimens\u00f5es adequadas e boa qualidade, para garantir melhor durabilidade e seguran\u00e7a. Improvisos com material inadequado, mesmo que fact\u00edveis, s\u00e3o uma p\u00e9ssima op\u00e7\u00e3o, por acarretar riscos maiores, utilizar vasos de maior calibre e frequentemente levar \u00e0 inutiliza\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel do vaso utilizado para acessos futuros.<\/p>\n<p>O uso de ultrassom em tempo real para localiza\u00e7\u00e3o de vasos melhorou a seguran\u00e7a dos procedimentos de pun\u00e7\u00e3o venosa E TORNOU-SE O ESTADO DA ARTE, INTERNACIONALMENTE RECONHECIDO. Em outras palavras, unidades pedi\u00e1tricas onde h\u00e1 demanda de acesso vascular central PRECISAM SEMPRE ter aparelhos de ultrassom dispon\u00edveis. Isto \u00e9 do interesse do paciente e da equipe de sa\u00fade por diminuir o risco dos procedimentos e torna-los mais r\u00e1pidos, mas tamb\u00e9m dos gestores, por diminuir significativamente os custos e aumentar a durabilidade dos cateteres.<\/p>\n<p>O aumento de demanda e utiliza\u00e7\u00e3o de acessos venosos centrais em pacientes mais graves e menores aumentou a incid\u00eancia absoluta de complica\u00e7\u00f5es. A mais frequente delas \u00e9 sepse, relacionada a infec\u00e7\u00e3o dos cateteres. A responsabilidade sobre a indica\u00e7\u00e3o e uso correto dos cateteres venosos centrais \u00e9 compartilhada entre aos membros da equipe m\u00e9dica (pediatras e cirurgi\u00f5es) e de enfermagem, bem como a responsabilidade diante de eventuais complica\u00e7\u00f5es. V\u00e1rias t\u00e1ticas limitam o risco infeccioso dos cateteres venosos centrais em pediatria, inclusive \u201clocks\u201d com subst\u00e2ncias bactericidas (infus\u00e3o com a subst\u00e2ncia em volume suficiente apenas para preencher o dispositivo, mantendo o cateter fechado contendo a subst\u00e2ncia por um tempo planejado), mas as principais medidas, sem sombra de d\u00favida, s\u00e3o simples e relacionadas aos cuidados com a manipula\u00e7\u00e3o dos cateteres (higiene das m\u00e3os, curativos corretos, respeito aos protocolos hospitalares). A disponibilidade de \u201ctimes de cateteres\u201d (grupos de m\u00e9dicos e enfermeiros respons\u00e1veis pela inser\u00e7\u00e3o, retirada e vigil\u00e2ncia de cateteres) \u00e9 uma medida recente de alta efetividade, que deveria ser adotada em todas as unidades pedi\u00e1tricas e de neonatologia.<\/p>\n<p>A demanda de acesso vascular central emergencial em pediatria \u00e9 outro problema a ser dimensionado. N\u00e3o se trata de procedimento simples, f\u00e1cil ou r\u00e1pido. Na pr\u00e1tica, todos os profissionais envolvidos devem atentar para os protocolos vigentes, que preconizam que em crian\u00e7as com necessidade emergencial de acesso venoso e esgotamento da rede perif\u00e9rica a primeira op\u00e7\u00e3o de acesso \u00e9 uma pun\u00e7\u00e3o intra\u00f3ssea. Tamb\u00e9m faz sentido, pelo simples uso do bom senso, n\u00e3o retirar cateteres funcionantes em crian\u00e7as de alto risco antes que esteja dispon\u00edvel outro acesso vascular, ainda que sejam cateteres com retirada futura prevista por suspeita de infec\u00e7\u00e3o ou outro problema n\u00e3o relacionado \u00e0 impossibilidade absoluta de uso do cateter.<\/p>\n<p>O IMPLANTE DE UM CATETER VENOSO CENTRAL N\u00c3O \u00c9 UMA PR\u00c1TICA ISOLADA DO CIRURGI\u00c3O PEDI\u00c1TRICO e sim um compromisso de todo o grupo de profissionais que trata a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Qualquer troca de cateter por complica\u00e7\u00e3o evit\u00e1vel ou como resultado de uma conduta inadequada traz riscos desnecess\u00e1rios ao paciente e ao profissional e aumenta o custo do tratamento. Uma consequ\u00eancia s\u00e9ria \u00e9 a fal\u00eancia total de acesso venoso, quando tromboses e estenoses de vasos centrais inviabilizam o implante de novos dispositivos por cirurgi\u00f5es pedi\u00e1tricos experimentados. Esta circunst\u00e2ncia, mais comum do que o desej\u00e1vel, pode ser uma causa de morte, em pacientes emergenciais, dependentes de nutri\u00e7\u00e3o parenteral ou de hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p>Acessos venosos pedi\u00e1tricos n\u00e3o s\u00e3o \u201csimples rotina\u201d e podem ser quest\u00e3o de vida ou morte. Os vasos sangu\u00edneos das crian\u00e7as s\u00e3o preciosos. Vamos us\u00e1-los bem.<\/p>\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cirurgia Pedi\u00e1trica<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 5 de junho de 2023 Veias s\u00e3o fr\u00e1geis e t\u00eam um di\u00e2metro pequeno nas crian\u00e7as. 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