{"id":19510,"date":"2023-02-13T09:20:56","date_gmt":"2023-02-13T12:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=19510"},"modified":"2023-02-13T09:20:56","modified_gmt":"2023-02-13T12:20:56","slug":"amb-lanca-demografia-medica-no-brasil-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/amb-lanca-demografia-medica-no-brasil-2023\/","title":{"rendered":"AMB lan\u00e7a Demografia M\u00e9dica no Brasil 2023"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/amb.org.br\/noticias\/lancada-a-demografia-medica-no-brasil-2023\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AMB<\/a><\/p>\n<p>O n\u00famero de registros de m\u00e9dicos com t\u00edtulo em alguma especialidade cresceu 84% nos \u00faltimos 10 anos no Brasil. As mulheres passar\u00e3o a ser maioria na profiss\u00e3o j\u00e1 a partir do pr\u00f3ximo ano. Com a expans\u00e3o da abertura de cursos e vagas de medicina, em 2035 haver\u00e1 no pa\u00eds mais de um milh\u00e3o de m\u00e9dicos no pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/DemografiaMedica2023_8fev-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CONFIRA O ESTUDO NA \u00cdNTEGRA<\/a><\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es constam da mais nova edi\u00e7\u00e3o da Demografia M\u00e9dica no Brasil (DMB) a primeira produzida em parceria entre a Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB) e a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), no mais completo estudo j\u00e1 realizado sobre a realidade dos m\u00e9dicos em todo o pa\u00eds. O levantamento foi divulgado na manh\u00e3 desta quarta-feira (8\/2) na sede da AMB, na capital paulista.<\/p>\n<p>A DMB 2023, coordenada pelo pesquisador M\u00e1rio Scheffer, professor livre-docente do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, foi formulada a partir de tr\u00eas eixos principais: estudos demogr\u00e1ficos da popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, estudos sobre forma\u00e7\u00e3o e profiss\u00e3o m\u00e9dica e inqu\u00e9ritos sobre Resid\u00eancia M\u00e9dica e trabalho m\u00e9dico no Brasil.<\/p>\n<p>C\u00e9sar Eduardo Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira, destaca o suporte institucional oferecido para a nova edi\u00e7\u00e3o da DMB, por meio da disponibiliza\u00e7\u00e3o dos dados anonimizados dos associados da entidade, dentre outras informa\u00e7\u00f5es. \u201cTemos orgulho de participar ativamente desta edi\u00e7\u00e3o da Demografia M\u00e9dica, que oferece dados de relev\u00e2ncia nacional e importantes subs\u00eddios a todos os gestores p\u00fablicos e privados comprometidos com a valoriza\u00e7\u00e3o da medicina e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Para a professora Eloisa Bonf\u00e1, diretora da Faculdade de Medicina da USP, a Demografia M\u00e9dica tem se revelado importante fonte de informa\u00e7\u00f5es dirigida a pesquisadores, ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, entidades e \u00f3rg\u00e3os governamentais. \u201c\u00c9 fundamental para o planejamento do sistema de sa\u00fade tomar conhecimento do n\u00famero, do perfil e da distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos e m\u00e9dicas no Brasil, das mudan\u00e7as na gradua\u00e7\u00e3o de Medicina, na Resid\u00eancia M\u00e9dica e na oferta de especialistas, assim como acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho m\u00e9dico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da AMB, a produ\u00e7\u00e3o da Demografia M\u00e9dica no Brasil 2023 tamb\u00e9m contou com apoio da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico), FFM (Funda\u00e7\u00e3o Faculdade de Medicina), Opas (Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade) e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>*PRINCIPAIS PONTOS DA DEMOGRAFIA M\u00c9DICA NO BRASIL 2023*<\/strong><\/p>\n<p>*<strong>M\u00e9dicos especialistas e especialidades m\u00e9dicas*<\/strong><\/p>\n<p>Em 2022 o Brasil possu\u00eda 321.581 m\u00e9dicos com ou mais t\u00edtulos de especialistas, o que representa 62,5% dos profissionais em atividade no pa\u00eds. Os demais 37,5% eram m\u00e9dicos generalistas, ou seja, sem titula\u00e7\u00e3o em nenhuma especialidade.<\/p>\n<p>O n\u00famero total de registros de m\u00e9dicos titulados no pa\u00eds chega a 495.716, o que representa 84% a mais em rela\u00e7\u00e3o aos 268,2 mil registros existentes em 2012. Trata-se de um dado in\u00e9dito e relevante da Demografia M\u00e9dica, resultado da expans\u00e3o da Resid\u00eancia M\u00e9dica no Brasil e da atua\u00e7\u00e3o da AMB e de suas filiadas \u2013 sociedades de especialidade que concedem t\u00edtulos de especialistas.<\/p>\n<p>Um mesmo m\u00e9dico pode ter t\u00edtulo ou ter conclu\u00eddo Resid\u00eancia M\u00e9dica em mais de uma especialidade e, por isso, o n\u00famero de t\u00edtulos em especialidades \u00e9 maior que o n\u00famero de indiv\u00edduos especialistas.<\/p>\n<p>O estudo considerou as 55 especialidades m\u00e9dicas reconhecidas pela Comiss\u00e3o Mista de Especialidades, composta por representantes da Comiss\u00e3o Nacional de Resid\u00eancia M\u00e9dica, Conselho Federal de Medicina e Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira.<\/p>\n<p>A defasagem entre os egressos de cursos de medicina e vagas de Resid\u00eancia M\u00e9dica de acesso direto aumentou no per\u00edodo analisado pela Demografia M\u00e9dica. Essa diferen\u00e7a, que era de 3.866 vagas em 2018, passou para 11.770 vagas em 2021. Considerando que a oferta de vagas de gradua\u00e7\u00e3o em medicina vem aumentando no pa\u00eds, em curto prazo o n\u00famero de m\u00e9dicos sem forma\u00e7\u00e3o especializada dever\u00e1 aumentar ainda mais, caso n\u00e3o haja amplia\u00e7\u00e3o de vagas de Resid\u00eancia M\u00e9dica.<\/p>\n<p>As especialidades com maior n\u00famero de registros de especialistas s\u00e3o Cl\u00ednica M\u00e9dica, com 56.979 m\u00e9dicos, Pediatria (48.654), Cirurgia Geral (41.547), Ginecologia e Obstetr\u00edcia (37.327), Anestesiologia (29.358), Ortopedia e Traumatologia (20.972), Medicina do Trabalho (20.804) e Cardiologia (20.324). Juntas, essas oito especialidades representam mais da metade (55,6%) do total de registro de especialistas.<\/p>\n<p>Um segundo grupo, de cinco especialidades \u2013 Oftalmologia, Radiologia e Diagn\u00f3stico por Imagem, Psiquiatria, Dermatologia e Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, soma 14,4% do total de especialistas. Assim, 13 das 55 especialidades m\u00e9dicas existentes no Brasil re\u00fanem 70% dos registros de especialistas.<\/p>\n<p>No per\u00edodo entre 2012 e 2022, algumas especialidades como Cl\u00ednica M\u00e9dica, Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, Radiologia e Diagn\u00f3stico por Imagem, Medicina Legal e Per\u00edcia M\u00e9dica, Cirurgia de M\u00e3o, Medicina de Tr\u00e1fego, Angiologia, Geriatria, Cirurgia de Cabe\u00e7a e Pesco\u00e7o, Neurologia, Gen\u00e9tica M\u00e9dica e Mastologia pelo menos dobraram o n\u00famero de especialistas.<\/p>\n<p>Outras 15 especialidades se destacaram, com crescimento entre 80% e 100%. S\u00e3o elas, Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia Vascular, Endocrinologia e Metabologia, Cirurgia do Aparelho Digestivo, Dermatologia, Reumatologia, Patologia, Nefrologia, Medicina Intensiva, Medicina Esportiva, Cirurgia Geral, Endoscopia, Psiquiatria, Infectologia e Oftalmologia.<\/p>\n<p>Os homens s\u00e3o maioria em 36 das 55 especialidades m\u00e9dicas e as mulheres predominam em 19 delas. As especialidades mais \u201cfemininas\u201d s\u00e3o Dermatologia, Pediatria, Alergia e Imunologia, Endocrinologia e Metabologia e Gen\u00e9tica M\u00e9dica. As especialidades mais \u201cmasculinas\u201d s\u00e3o Urologia, Ortopedia e Traumatologia, Neurocirurgia, Cirurgia Cardiovascular e Cirurgia do Aparelho Digestivo.<\/p>\n<p>A especialidade com maior n\u00famero de mulheres \u00e9 a Dermatologia: s\u00e3o 8.236 m\u00e9dicas, o que representa 77,9% dos dermatologistas do pa\u00eds. Outras especialidades com grande propor\u00e7\u00e3o de mulheres s\u00e3o Pediatria (75,6%), Alergia e Imunologia e Endocrinologia e Metabologia, ambas com 72,1%.<\/p>\n<p>Em nove das 55 especialidades, os homens s\u00e3o mais de 80%. As mulheres s\u00e3o minoria em todas as especialidades cir\u00fargicas, caso da Cirurgia Geral, em que representam menos de 25% do total de especialistas.<\/p>\n<p>Em 34 das 55 especialidades m\u00e9dicas existentes no Brasil, a m\u00e9dia de idade dos m\u00e9dicos especialistas \u00e9 inferior a 50 anos.<\/p>\n<p>No Sul do pa\u00eds, 68% dos m\u00e9dicos possuem alguma especialidade. J\u00e1 no Centro-Oeste 63,4% dos profissionais s\u00e3o m\u00e9dicos especializados, enquanto no Sudeste s\u00e3o 63,3%, no Norte, 57,2% e no Nordeste, 52,3%.<\/p>\n<p>O Distrito Federal possui a maior propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos especialistas em rela\u00e7\u00e3o ao total de profissionais (72,7%), enquanto o Amap\u00e1 registra a menor (40,4%).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 For\u00e7a de Trabalho Cir\u00fargica \u2013 que inclui cirurgi\u00f5es, anestesiologistas e obstetras, a Demografia M\u00e9dica aponta que, no Brasil, h\u00e1 uma densidade de 66 especialistas por 100.000 habitantes, mais do que o triplo do recomendado pela Lancet Commission On Global Surgery, que \u00e9 de 20 por 100 mil.<\/p>\n<p>Contudo, tamb\u00e9m nesse quesito h\u00e1 disparidade na distribui\u00e7\u00e3o territorial. Enquanto no Distrito Federal e no Estado de S\u00e3o Paulo, a FTC tem raz\u00f5es, respectivamente, de 151,5 e 85,4 por 100.000 habitantes, no Maranh\u00e3o e no Acre os \u00edndices s\u00e3o de 26,7 e 28,6.<\/p>\n<p><strong>*Aumento de m\u00e9dicos no Brasil*<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 13 anos, de 2010 a 2023, mais de 250 mil novos m\u00e9dicos (251.362) entraram no mercado de trabalho no Brasil, resultado direto da abertura de cursos e de vagas de gradua\u00e7\u00e3o em medicina.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2023 o pa\u00eds contava com 562.229 m\u00e9dicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que corresponde a uma taxa nacional de 2,6 m\u00e9dicos por 1.000 habitantes. Na mesma data, o total de registros m\u00e9dicos chegava a 618.593.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a entre o quantitativo de indiv\u00edduos m\u00e9dicos e o de registros se refere aos profissionais que possuem inscri\u00e7\u00f5es em mais de um CRM, seja porque trabalham em cidades de diferentes estados ou porque se deslocam temporariamente a outro estado.<\/p>\n<p>No ano 2000 o Brasil contava com 239.110 m\u00e9dicos. Enquanto o n\u00famero de profissionais mais do que dobrou at\u00e9 2023, a popula\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds cresceu em torno de 27%.<\/p>\n<p>Duas regi\u00f5es do pa\u00eds possuem n\u00famero de m\u00e9dicos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional. No Norte h\u00e1 1,45 m\u00e9dico por 1.000 habitantes e, no Nordeste, 1,93.<\/p>\n<p>J\u00e1 as regi\u00f5es Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil possuem raz\u00f5es de 3,39, 3,10 e 2,95 m\u00e9dicos por 1.000 habitantes, respectivamente.<\/p>\n<p>Os estados brasileiros que possuem maior densidade de m\u00e9dicos por 1.000 habitantes s\u00e3o o Distrito Federal (5,53), Rio de Janeiro (3,77), S\u00e3o Paulo (3,50) e Santa Catarina (3,05). As menores densidades s\u00e3o encontradas no Par\u00e1 (1,18 m\u00e9dico por 1.000 habitantes), Maranh\u00e3o (1,22) e Amazonas (1,36).<\/p>\n<p>Os dados da Demografia M\u00e9dica ainda mostram que os m\u00e9dicos se concentram nas capitais brasileiras que, somadas, re\u00fanem 312.246 m\u00e9dicos de todo o pa\u00eds, o que representa uma raz\u00e3o de 6,13 profissionais por 1.000 habitantes.<\/p>\n<p>J\u00e1 o grupo de regi\u00f5es metropolitanas do Brasil (excluindo capitais) possui 44.824 m\u00e9dicos, o que significa 1,14 m\u00e9dico por 1.000 habitantes. Na somat\u00f3ria das cidades que comp\u00f5em o interior do Brasil, s\u00e3o 225.996 m\u00e9dicos ou 1,84 profissional por 1.000 habitantes.<\/p>\n<p>\u201cAinda \u00e9 pouco significativa a dispers\u00e3o territorial ou \u2018interioriza\u00e7\u00e3o\u2019 de m\u00e9dicos, o que vinha sendo aguardado depois que in\u00fameros cursos de medicina foram abertos no interior. Pela proje\u00e7\u00e3o feita, o Brasil como um todo ter\u00e1 4,4 mil m\u00e9dicos por mil habitantes em 2035, mas a desigualdade pode at\u00e9 mesmo se intensificar, com mais profissionais se dirigindo para locais onde a concentra\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 alta\u201d, destaca o documento da Demografia M\u00e9dica em suas considera\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n<p>*<strong>Proje\u00e7\u00e3o da oferta de m\u00e9dicos no Brasil nos pr\u00f3ximos anos*<\/strong><\/p>\n<p>Uma das proje\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas feitas pela nova edi\u00e7\u00e3o da Demografia M\u00e9dica no Brasil 2023 \u00e9 referente \u00e0 oferta de m\u00e9dicos em atividade no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Em dois cen\u00e1rios analisados \u2013 de eventual \u201ccongelamento\u201d na abertura de cursos de gradua\u00e7\u00e3o e vagas de medicina entre 2023 e 2029 ou de manuten\u00e7\u00e3o dos efeitos da legisla\u00e7\u00e3o vigente em 2022 em que a abertura de cursos e vagas \u00e9 regulada e n\u00e3o seria interrompida nos anos seguintes -, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que em 2035 haver\u00e1 entre 1.016.121 e 1.032.753 m\u00e9dicos no Brasil.<\/p>\n<p>Em ambos os cen\u00e1rios o Brasil chegar\u00e1 a 2035 com densidade superior a 4,4 m\u00e9dicos por 1.000 habitantes. E, em qualquer circunst\u00e2ncia, a popula\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no pa\u00eds ser\u00e1, al\u00e9m de mais numerosa, mais feminina, mais jovem e, provavelmente, mais desigualmente distribu\u00edda.<\/p>\n<p>\u201cHaver\u00e1 acirramento das disparidades de concentra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos. Das 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o, 18 delas ir\u00e3o apresentar densidade de profissionais por mil habitantes abaixo da m\u00e9dia nacional, estimada em 4,4 em 2035. Ou seja, se medidas excepcionais n\u00e3o forem adotadas, estar\u00e1 mantida ou ser\u00e1 agravada a desigualdade da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, o que far\u00e1 persistir a escassez localizada de profissionais, mesmo em cen\u00e1rio de maior e crescente oferta de m\u00e9dicos\u201d, alerta o documento da pesquisa.<\/p>\n<p>*<strong>Mais mulheres na profiss\u00e3o*<\/strong><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d da profiss\u00e3o m\u00e9dica j\u00e1 vinha sendo observado desde 2009 entre os rec\u00e9m-graduados, mas ainda havia, no total da profiss\u00e3o, 59,5% de homens e 40,5% de mulheres. Em 2022 a propor\u00e7\u00e3o foi de 51,4% de m\u00e9dicos e 48,6% de m\u00e9dicas. Para 2024 a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que 50,2% do total de m\u00e9dicos no pa\u00eds sejam mulheres.<\/p>\n<p>Entre 2010 e 2022 o n\u00famero de mulheres m\u00e9dicas quase dobrou, passando de 133 mil para 260 mil. Entre os homens o crescimento foi mais lento, com acr\u00e9scimo de 43%.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m demonstrou desigualdade de renda entre os g\u00eaneros. Conforme dados obtidos por meio de declara\u00e7\u00f5es junto \u00e0 Receita Federal referente ao ano-base de 2020, as m\u00e9dicas brasileiras declaram rendimento m\u00e9dio anual 36,3% inferior que os profissionais do sexo masculino.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a proje\u00e7\u00e3o do estudo da Demografia M\u00e9dica, a idade m\u00e9dia do m\u00e9dico brasileiro vai cair e, em 2035, mais de 85% dos profissionais ter\u00e3o entre 22 e 45 anos. Tamb\u00e9m em 2035 haver\u00e1 56% de profissionais de medicina do sexo feminino contra 44% do sexo masculino.<\/p>\n<p><strong>*Consultas m\u00e9dicas no Brasil*<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dados in\u00e9ditos da Demografia M\u00e9dica, mais de 600 milh\u00f5es de consultas m\u00e9dicas s\u00e3o realizadas por ano no Brasil, o que corresponde a pouco mais de 3,13 consultas por habitante\/ano (dados relativos a 2019, ano pr\u00e9-pandemia). O n\u00famero \u00e9 menor do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses que integram a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) \u2013 6,8 consultas por habitante\/ano.<\/p>\n<p>Considerando o n\u00famero de m\u00e9dicos no pa\u00eds, cada profissional realiza, em m\u00e9dia, 1.260 consultas anualmente ou 4,5 consultas por dia, em um calend\u00e1rio de 280 dias \u00fateis (excluindo finais de semana e feriados). O n\u00famero tamb\u00e9m \u00e9 menor do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses que integram a OCDE \u2013 2.122 consultas por m\u00e9dico\/ano.<\/p>\n<p>As disparidades relativas a consultas nas diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds e nos setores p\u00fablico e privado de sa\u00fade, contudo, s\u00e3o significativas. Em 2019 foram 2,3 consultas por habitante entre usu\u00e1rios do SUS e 3,3 entre clientes da sa\u00fade suplementar.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es Sudeste e Sul apresentaram maior propor\u00e7\u00e3o de consultas por habitante, chegando a 3,93 e 3,19, respectivamente. As regi\u00f5es Centro-Oeste (2,86 consultas por habitante), Nordeste (2,38) e Norte (1,86) est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos estados, S\u00e3o Paulo (4,64 consultas por habitante) e Rio de Janeiro (3,80) se destacam como os estados com maior n\u00famero de consultas por habitante, seguidos pelo Mato Grosso do Sul (3,62). Tocantins (1,60), Amap\u00e1 (1,60), Par\u00e1 (1,76) e Amazonas (1,77) possuem os indicadores mais baixos.<\/p>\n<p>O n\u00famero de consultas m\u00e9dicas realizadas no SUS em 2019, segundo dados do Datasus , foi de 482,6 milh\u00f5es, correspondente a 2,12 consultas por habitante.<\/p>\n<p>O indicador varia bastante no territ\u00f3rio brasileiro. As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam raz\u00e3o de consultas SUS por habitante inferior a 2: 1,49 e 1,76, respectivamente.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos estados, Amap\u00e1 (1,20), Piau\u00ed (1,25) e Distrito Federal (1,27) apresentaram menor n\u00famero de consultas m\u00e9dicas por habitante na rede p\u00fablica. No outro extremo, S\u00e3o Paulo registrou 2,96 consultas SUS por habitante, o que contribui para manter a regi\u00e3o Sudeste \u00e0 frente, com 2,48 consultas por habitante.<\/p>\n<p>J\u00e1 as regi\u00f5es Sul e Centro-Oeste apresentaram indicadores de consultas SUS por habitante de 2,22 e 2,01, respectivamente.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de consultas m\u00e9dicas por habitante entre os clientes de planos e seguros de sa\u00fade, em compara\u00e7\u00e3o com as consultas de usu\u00e1rios do SUS, se mostra superior em todas as grandes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Sudeste apresenta o maior n\u00famero de consultas por usu\u00e1rios de plano privado, com 3,62 atendimentos por habitante, chegando a 4,59 no Esp\u00edrito Santo e a 3,91 em S\u00e3o Paulo. O Nordeste foi a segunda regi\u00e3o com maior n\u00famero de consultas por usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade (3,25 por habitante), seguida das regi\u00f5es centro-oeste (2,67) e Sul (2,61).<\/p>\n<p>J\u00e1 a regi\u00e3o Norte, assim como ocorreu nas consultas SUS, foi a que apresentou a menor raz\u00e3o de consultas por habitante entre usu\u00e1rios de planos privados de sa\u00fade (2,02).<\/p>\n<p><strong>A expans\u00e3o dos cursos de medicina no Brasil e o perfil dos estudantes*<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Demografia M\u00e9dica, de 2013 a 2022 foi registrada a maior expans\u00e3o do ensino m\u00e9dico da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Em 2022 o Brasil contava com 389 escolas m\u00e9dicas que, juntas, ofereciam 41.805 vagas de gradua\u00e7\u00e3o. Desse total, 23.287 novas vagas foram abertas de 2013 em diante. O aumento foi quase quatro vezes maior do que o registrado entre 2003 e 2012, quando foram autorizadas 5.990 vagas.<\/p>\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas da expans\u00e3o da oferta de gradua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica nos \u00faltimos 20 anos no Brasil foi a abertura de vagas predominantemente no setor privado de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, enquanto as novas vagas de medicina em universidades p\u00fablicas passaram de 5.917 em 2003 para 9.725 em 2022 (aumento de 64%), as vagas em escolas m\u00e9dicas do setor privado subiram de 7.001 para 32.080 (crescimento de 358%).<\/p>\n<p>Proporcionalmente, a participa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no ensino m\u00e9dico atingiu seu menor patamar hist\u00f3rico em 2022, quando menos de um quarto das vagas foram ofertadas em 121 escolas p\u00fablicas, enquanto as vagas nos 268 cursos privados representaram 77% do total. No Sudeste brasileiro, que concentra quase metade de todos os postos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina no Brasil, apenas 16,6% das vagas est\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Entre 2010 e 2020 o n\u00famero de alunos cursando o primeiro ano de escolas m\u00e9dicas passou de 16.818 para 40.881, o que representa crescimento de 143% no per\u00edodo, resultado da ampla abertura de novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As mulheres foram maioria entre os alunos do primeiro ano de medicina no per\u00edodo analisado pela Demografia M\u00e9dica, representando 54,9% do total de estudantes em 2010 e 61,4% em 2019.<\/p>\n<p>A Demografia identificou um aumento da popula\u00e7\u00e3o negra \u2013 soma de alunos que se declararam pretos e pardos -, de 1.483 estudantes de medicina em 2010 para 9.326 em 2019.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cresceu a participa\u00e7\u00e3o de estudantes de medicina entre aqueles que cursaram o ensino m\u00e9dio em escolas p\u00fablicas, de 25,9% do total em 2010 para 29,8% em 2019.<\/p>\n<p>*<strong>Oferta e distribui\u00e7\u00e3o de Resid\u00eancia M\u00e9dica*<\/strong><\/p>\n<p>Em 2021, 4.950 programas de RM estavam credenciados no Brasil. Naquele ano, os 41.853 m\u00e9dicos que cursavam Resid\u00eancia M\u00e9dica representavam cerca de 8% do total de m\u00e9dicos em atividade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estado de S\u00e3o Paulo concentra 33,3% de todos os residentes, seguido por Minas Gerais (11,1%), Rio de Janeiro (10%) e Rio Grande do Sul (7,1%). Das 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o, 11 possuem menos de 1% do total de residentes do pa\u00eds. Desses, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do Mato Grosso, todos se localizam nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Cerca de 46% das institui\u00e7\u00f5es que oferecem RM se concentram na regi\u00e3o Sudeste, onde est\u00e1 metade dos programas credenciados.<\/p>\n<p>O Distrito Federal \u00e9 a unidade federativa com maior densidade de m\u00e9dicos residentes por 100.000 habitantes (44,92), seguido por S\u00e3o Paulo (29,86), Rio Grande do Sul (25,84) e Rio de Janeiro (24,06). No outro extremo, o estado do Maranh\u00e3o apresenta a densidade mais baixa (4,57), seguido por Amap\u00e1 (5,13) e Par\u00e1 (7,10).<\/p>\n<p>Em 2021, cerca de 43% dos m\u00e9dicos residentes cursavam programas em quatro especialidades: Cl\u00ednica M\u00e9dica (14,2%), Pediatria (10,87%), Ginecologia e Obstetr\u00edcia (9,15%) e Cirurgia Geral (9,08%).<\/p>\n<p>Entre 2018 e 2021 o n\u00famero de m\u00e9dicos que cursavam Resid\u00eancia M\u00e9dica no Brasil passou de 38.681 para 41.853.<\/p>\n<p>Ao comparar a oferta nacional de vagas de primeiro ano de Resid\u00eancia M\u00e9dica com o n\u00famero de profissionais que conclu\u00edram medicina no ano anterior percebe-se um descompasso entre a forma\u00e7\u00e3o especializada e o ensino de gradua\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o da intensa abertura de cursos de medicina, as vagas de R1 dispon\u00edveis no Brasil n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para formar especialistas em quantidade equivalente aos novos registros de m\u00e9dicos formados no ano anterior.<\/p>\n<p>Ainda conforme a nova Demografia M\u00e9dica no Brasil, apenas 24,6% dos m\u00e9dicos residentes entrevistados afirmaram ter inten\u00e7\u00e3o de trabalhar majoritariamente ou exclusivamente no SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) no prazo de um ano ap\u00f3s a conclus\u00e3o da resid\u00eancia. No cen\u00e1rio de ap\u00f3s cinco anos da conclus\u00e3o da RM, a inten\u00e7\u00e3o de trabalhar majoritariamente ou exclusivamente no SUS cai para cai para 12,1% dos entrevistados.<\/p>\n<p>A maioria dos residentes (55,7%) pretende, um ano ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o, manter exerc\u00edcio profissional de dupla pr\u00e1tica, dividindo a atua\u00e7\u00e3o profissional entre os servi\u00e7os p\u00fablico e privado. Porcentagem semelhante (49%) pretende manter essa inser\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada ap\u00f3s cinco anos de formado.<\/p>\n<p>Cerca de 20% dos residentes entrevistados revelaram a inten\u00e7\u00e3o de trabalhar majoritariamente ou integralmente no sistema privado ap\u00f3s um ano da conclus\u00e3o do curso. Essa propor\u00e7\u00e3o sobe para 40% quando questionados sobre a inten\u00e7\u00e3o de local de trabalho cinco anos ap\u00f3s a conclus\u00e3o da RM.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: AMB O n\u00famero de registros de m\u00e9dicos com t\u00edtulo em alguma especialidade cresceu 84% nos \u00faltimos 10 anos no Brasil. 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