{"id":18562,"date":"2022-05-16T09:46:35","date_gmt":"2022-05-16T12:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=18562"},"modified":"2022-05-16T09:46:35","modified_gmt":"2022-05-16T12:46:35","slug":"suicidio-entre-medicos-aumenta-o-que-esta-acontecendo-com-medicos-e-estudantes-de-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/suicidio-entre-medicos-aumenta-o-que-esta-acontecendo-com-medicos-e-estudantes-de-medicina\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio entre m\u00e9dicos aumenta: o que est\u00e1 acontecendo com m\u00e9dicos e estudantes de Medicina?"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portalhospitaisbrasil.com.br\/suicidio-entre-medicos-aumenta-o-que-esta-acontecendo-com-medicos-e-estudantes-de-medicina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portal Hospitais Brasil<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 motivos suficientes para afirmarmos que a medicina est\u00e1 em crise. N\u00e3o \u00e9 algo que come\u00e7ou ontem, mas vem de um processo complexo ao longo dos anos. Que existe um \u00e1rduo caminho para se chegar ao podium n\u00e3o \u00e9 novidade. Para a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica s\u00e3o necess\u00e1rios disciplina, motiva\u00e7\u00e3o, persist\u00eancia, resili\u00eancia e muito amor pela profiss\u00e3o para poder atravessar todas as etapas. Isso significa passar por toda a prepara\u00e7\u00e3o acad\u00eamica durante anos de estudos, absorvendo informa\u00e7\u00f5es e t\u00e9cnicas das \u00e1reas correspondentes, al\u00e9m da alfabetiza\u00e7\u00e3o m\u00e9dica espec\u00edfica, tempos de resid\u00eancia para adquirir experi\u00eancia pr\u00e1tica e in\u00fameros cursos de especializa\u00e7\u00e3o e reciclagem durante a vida, sacrificando n\u00e3o apenas parte da juventude, mas toda a vida familiar, social e afetiva ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Segundo a especialista em Sa\u00fade Mental e Neurodesenvolvimento, Mestre em Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica, Dra. Gesika Amorim. \u201cPrecisamos Levar em considera\u00e7\u00e3o que a faculdade de medicina tem o vestibular mais dif\u00edcil do mercado, al\u00e9m do curso mais dif\u00edcil com um sacrificante hor\u00e1rio integral.\u00a0 O aluno estuda o dia inteiro durante seis anos. Depois de formado, dependendo da sua especializa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mais seis anos de \u00e1rduo estudo no caso de sub-especializa\u00e7\u00f5es, depois voc\u00ea estuda mais um ou dois anos. Ou seja, voc\u00ea estuda em torno de 20 anos para depois trabalhar em um plant\u00e3o, respondendo e sendo chefiado por administradores hospitalares que, muitas vezes, n\u00e3o tem nenhum conhecimento m\u00e9dico, n\u00e3o fizeram nem um ano de resid\u00eancia m\u00e9dica, onde voc\u00ea ser\u00e1 apenas mais uma roda nessa engrenagem. Voc\u00ea vai trabalhar exaustivamente, vai cumprir as suas horas, vai ser mal remunerado e no final voc\u00ea acaba completamente desiludido com a carreira m\u00e9dica.\u201d<\/p>\n<p>E ao chegar no momento da atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, de fato, o novato tem que se dar conta com toda a demanda que s\u00e3o variadas e simult\u00e2neas. Esse breve perfil j\u00e1 nos mostra a dura natureza da profiss\u00e3o que normalmente vai levar ao esgotamento f\u00edsico e ps\u00edquico dos profissionais. \u00c9 compreens\u00edvel que a classe m\u00e9dica seja a mais atingida por estresse, ansiedade e pela depress\u00e3o e, por consequ\u00eancia extrema, o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, em m\u00e9dia, um m\u00e9dico comete suic\u00eddio por dia, uma taxa duas vezes maior do que a da popula\u00e7\u00e3o em geral. N\u00e3o raro s\u00e3o os casos de uso e depend\u00eancia de \u00e1lcool e drogas como paliativo para aliviar as tens\u00f5es.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia di\u00e1ria com cargas hor\u00e1rias pesadas, as enormes responsabilidades, expostos \u00e0 dor, ao sofrimento e \u00e0 morte. A carga de frustra\u00e7\u00e3o gerada pela impot\u00eancia diante da morte, seja por erro humano, falha do sistema ou pela causa natural do trauma ou da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>O aumento de incid\u00eancia de suic\u00eddio, transtornos depressivos e de abandono da carreira m\u00e9dica \u00e9 justamente porque n\u00e3o h\u00e1 um retorno de acordo com tudo o que voc\u00ea investiu em tempo e em dinheiro. \u00c9 uma carreira muito cara e que demanda muito tempo de estudo e, depois de formado, a carga hor\u00e1ria acaba sendo exaustiva. No final das contas, se n\u00e3o tiver um compromisso maior que tudo na sua vida, um prop\u00f3sito fundamental e muito amor, n\u00e3o compensa<em>\u201c<\/em>,\u00a0<em>c<\/em>ompleta a Dra. Gesika Amorim.<\/p>\n<p>Apesar de todos esses fatores ainda h\u00e1 um outro que vem ganhando corpo e sendo revelado por uma parcela desses m\u00e9dicos que j\u00e1 consideram a profiss\u00e3o um barco \u00e0 deriva, com o mesmo destino de um Titanic. Diante desse cen\u00e1rio, muitos m\u00e9dicos est\u00e3o abandonando a profiss\u00e3o. \u00c9 o que revela um artigo publicado em janeiro de 2020 na revista digital\u00a0<em>Medscape<\/em>, destinada aos profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um fator levantado trata-se do pr\u00f3prio sistema como um obst\u00e1culo no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. A m\u00e1quina burocr\u00e1tica dirigida por duvidosos \u2018especialistas\u2019 que tomam decis\u00f5es pautadas por quest\u00f5es pol\u00edticas ou econ\u00f4micas acabam desbancando a pr\u00f3pria \u00e9tica m\u00e9dica e sua miss\u00e3o de salvar vidas. Essas amarras protocolares do sistema limitam, como em uma ditadura, a liberdade dos m\u00e9dicos e pesquisadores em suas respectivas atua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO mais importante \u00e9 o m\u00e9dico reconhecer que precisa de ajuda. O profissional m\u00e9dico tem um grave defeito que \u00e9 postergar cada vez mais o seu tratamento e o negacionismo que \u00e9 inerente, acreditando que ele n\u00e3o adoece. Ele minimiza os sintomas que est\u00e1 sentindo em prol do trabalho. Mesmo doente, com febre, dor de cabe\u00e7a, press\u00e3o alta, depressivo, at\u00e9 mesmo pensando em se matar, mesmo assim ele vai trabalhar. O mais importante nesse momento, al\u00e9m da mudan\u00e7a do ambiente, do status da carreira, a valoriza\u00e7\u00e3o da carreira m\u00e9dica, a mudan\u00e7a das coordena\u00e7\u00f5es por profissionais ligados \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade, n\u00e3o apenas gestores, mas por profissionais m\u00e9dicos gerenciando os hospitais, os locais de trabalho, valorizando a qualidade do trabalho. O mais importante \u00e9 o m\u00e9dico olhar para dentro de si e enxergar o qu\u00e3o humano ele \u00e9 e ter a humildade de buscar ajuda. Somos todos humanos e pass\u00edveis de adoecer\u201d,\u00a0alertou a Dra. Gesika Amorim.<\/p>\n<p>Em meio aos protocolos h\u00e1 uma crescente desvaloriza\u00e7\u00e3o da classe, a partir da mudan\u00e7a do termo \u2018m\u00e9dico\u2019 para \u2018provedor\u2019, considerado ofensivo para muitos profissionais. Somado a isso h\u00e1 a contrata\u00e7\u00e3o de prestadores de n\u00edvel m\u00e9dio, que s\u00e3o mais baratos para os sistemas de sa\u00fade, para substituir os m\u00e9dicos. Esses mesmos \u2018especialistas\u2019 em pol\u00edticas de sa\u00fade pressionam legisladores para diminu\u00edrem a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dica por considerarem custosa demais.<\/p>\n<p>Se por um lado o emprego em hospitais pode limitar ainda mais o profissional, tirando a sua autonomia cl\u00ednica e administrativa, na outra ponta, o setor privado deixou de ser uma escolha lucrativa.<\/p>\n<p>A pandemia de Covid, serviu apenas para fazer reacender essa discuss\u00e3o, pois nunca a profiss\u00e3o medica foi t\u00e3o exigida quanto agora nos \u00faltimos 2 anos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o deixando de fazer medicina para fazer outras coisas, buscando outras alternativas, isso porque elas est\u00e3o percebendo que n\u00e3o est\u00e1 havendo retorno pessoal nem financeiro. No final das contas n\u00e3o est\u00e1 compensando o sacrif\u00edcio de uma vida. \u00c9 como ter diante de si um oceano e possibilidades, mas acabar morrendo na praia\u201d,\u00a0finalizou a Dra. Gesika Amorim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Portal Hospitais Brasil H\u00e1 motivos suficientes para afirmarmos que a medicina est\u00e1 em crise. 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