{"id":18551,"date":"2022-05-16T08:57:48","date_gmt":"2022-05-16T11:57:48","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=18551"},"modified":"2022-05-18T10:48:33","modified_gmt":"2022-05-18T13:48:33","slug":"postar-no-twitter-ajuda-a-aumentar-o-impacto-academico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/postar-no-twitter-ajuda-a-aumentar-o-impacto-academico\/","title":{"rendered":"Postar no Twitter ajuda a aumentar o impacto acad\u00eamico?"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6507904\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>Em um estudo recente, uma estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o de artigos sobre medicina cardiovascular no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0foi associada n\u00e3o apenas a aumento da visibilidade\u00a0<em>on-line<\/em>, mas tamb\u00e9m a maior impacto acad\u00eamico. O\u00a0<em>ESC Journals Study<\/em>, liderado pelo cardiologista portugu\u00eas Dr. Ricardo Ladeiras-Lopes, indica que, independentemente do tipo de artigo, divulg\u00e1-lo no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0est\u00e1 associado a um aumento de 12% nas cita\u00e7\u00f5es nos dois anos seguintes.\u00a0<sup>[<a>1<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>O estudo randomizado de quase 700 artigos publicados nos peri\u00f3dicos da\u00a0<em>European Society of Cardiology<\/em>\u00a0(ESC) teve um bra\u00e7o de artigos promovidos nas contas da ESC no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0e um bra\u00e7o de controle, com artigos que n\u00e3o foram publicados nesta rede social. Os trabalhos foram selecionados de acordo com sua relev\u00e2ncia e potencial interesse para a comunidade cardiovascular. Diretrizes, consensos e outros artigos que forneciam recomenda\u00e7\u00f5es, assim como aqueles divulgados pela imprensa, foram exclu\u00eddos da pesquisa. No bra\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o, foi assegurado acesso gr\u00e1tis ao texto completo por ao menos 24 horas.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o avaliou apenas a divulga\u00e7\u00e3o dos artigos nas contas pessoais dos autores, mas o destaque ativo nas contas da ESC, que, juntas, somam mais de 20 mil seguidores. Assim, os pesquisadores analisaram o impacto na taxa de cita\u00e7\u00f5es do artigo ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o ativa nas contas da ESC no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0a presen\u00e7a org\u00e2nica na plataforma.<\/p>\n<p>\u201cEm termos pr\u00e1ticos, tuitar um artigo cient\u00edfico associou-se a um aumento de 12% do seu n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es bibliogr\u00e1ficas. O valor em si n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o elevado, ap\u00f3s um\u00a0<em>follow-up<\/em>\u00a0mediano de quase tr\u00eas anos, mas refor\u00e7a a import\u00e2ncia do\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0como ferramenta para a dissemina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das \u00faltimas publica\u00e7\u00f5es da medicina cardiovascular\u201d, disse ao\u00a0<em>Medscape<\/em>\u00a0o Dr. Ricardo, que atua no Servi\u00e7o de Cardiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia\/Espinho e \u00e9 professor auxiliar convidado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ambos em Portugal.<\/p>\n<p>O impacto da promo\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais nas taxas de cita\u00e7\u00e3o \u00e9 objeto de muitas pesquisas que, por enquanto, n\u00e3o oferecem achados consistentes. H\u00e1 outros exemplos de correla\u00e7\u00e3o positiva entre men\u00e7\u00f5es no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0e cita\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, por exemplo, em peri\u00f3dicos de medicina sexual,\u00a0<sup>[<a>2<\/a>]<\/sup>\u00a0mas tamb\u00e9m h\u00e1 estudos que mostram associa\u00e7\u00e3o muito fraca ou aus\u00eancia de efeito.<\/p>\n<p>Um ensaio randomizado que avaliou artigos publicados no peri\u00f3dico<em>\u00a0Circulation<\/em>\u00a0que receberam exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia social n\u00e3o identificou aumento nas visualiza\u00e7\u00f5es dos artigos. Outros estudos fora do campo cardiovascular n\u00e3o conseguiram confirmar ou demonstraram apenas associa\u00e7\u00f5es muito fracas do efeito da exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia social nas taxas de cita\u00e7\u00e3o dos artigos.<sup>\u00a0[3]<\/sup><\/p>\n<p><b>Qualidade + visibilidade<\/b><\/p>\n<p>O impacto acad\u00eamico da divulga\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser testado. Uma das perguntas sempre \u00e9:\u00a0<em>A divulga\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais aumenta diretamente as cita\u00e7\u00f5es ou o artigo teria alcan\u00e7ado o mesmo n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es independentemente, como reflexo da qualidade subjacente do trabalho?<\/em><\/p>\n<p>Com mais de 20 mil seguidores no\u00a0<em>Twitter<\/em>, o brasileiro Anderson Brito @AndersonBrito_, que posta sobre virologia, epidemiologia e bioinform\u00e1tica, afirma: \u201cBusco sempre utilizar o\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0para divulgar breves resumos sobre meus trabalhos publicados, bem como interagir e responder perguntas, as quais em geral v\u00eam de colegas da minha \u00e1rea de pesquisa\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cDesta forma, entendo que meu trabalho passa a ter mais visibilidade, o que pode favorecer cita\u00e7\u00f5es deste em publica\u00e7\u00f5es futuras. Mas divulgar o trabalho em redes sociais n\u00e3o \u00e9 tudo. O trabalho tem que ser de qualidade, caso contr\u00e1rio n\u00e3o merecer\u00e1 ser citado. Somando qualidade e visibilidade, pesquisadores podem garantir que seus trabalhos tenham maior impacto n\u00e3o s\u00f3 entre pessoas da \u00e1rea, como tamb\u00e9m entre membros da sociedade como um todo.\u201d<\/p>\n<p>Outra dificuldade \u00e9 o tempo: pode levar v\u00e1rios anos para um artigo gerar um n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es suficiente para a avalia\u00e7\u00e3o de seu impacto.<\/p>\n<p>H\u00e1 grupos que prop\u00f5em utilizar m\u00e9tricas das m\u00eddias sociais como medida do impacto cient\u00edfico. Os c\u00e1lculos do impacto imediatamente ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o (duas a tr\u00eas semanas) do #SoME_Score podem ser usados para prever quais artigos ter\u00e3o alto impacto no futuro.\u00a0<sup>[<a>4<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>Mas, at\u00e9 para os mais complexos m\u00e9todos de previs\u00e3o de impacto, as potenciais interfer\u00eancias s\u00e3o muitas.<\/p>\n<p>Em 2021, o projeto\u00a0<em>Science Pulse<\/em>, que se descreve como \u201cuma ferramenta de\u00a0<em>social listening<\/em>\u00a0desenhada para acompanhar o debate de ci\u00eancia nas redes sociais\u201d, mapeou a discuss\u00e3o sobre divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no contexto da pandemia. Foram analisadas 450.906 publica\u00e7\u00f5es sobre a covid-19 feitas no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0entre novembro de 2020 e novembro de 2021 por mais de 1 mil cientistas, especialistas e organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p>Em entrevista ao\u00a0<em>Medscape<\/em>, o m\u00e9dico com a melhor coloca\u00e7\u00e3o no Top 10 Perfis influenciadores no Brasil,\u00a0<sup>[<a>5<\/a>]<\/sup>\u00a0Dr. Daniel Dourado @dadourado, afirmou que, \u201cdo ponto de vista acad\u00eamico, acho que n\u00e3o provocou nenhuma influ\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>As causas dessa quest\u00e3o podem estar bem distantes da qualidade da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deste m\u00e9dico e advogado brasileiro que faz pesquisas na \u00e1rea da pol\u00edtica de sa\u00fade e do direito. Suas postagens foram escritas em portugu\u00eas em um per\u00edodo que morava na Fran\u00e7a, as suas publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas foram redigidas em franc\u00eas e publicadas em revistas francesas. O Dr. Daniel destaca ainda que, na Fran\u00e7a, o ambiente acad\u00eamico n\u00e3o usa muito o\u00a0<em>Twitter<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da barreira lingu\u00edstica entre as suas bolhas acad\u00eamica e de influ\u00eancia digital, o Dr. Daniel tem ainda outra hip\u00f3tese para o seu alto impacto digital n\u00e3o gerar impacto acad\u00eamico: \u201cEsse maior engajamento no meu perfil do\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0\u00e9 provavelmente porque me envolvi muito na quest\u00e3o pol\u00edtica da pandemia.\u201d<\/p>\n<p>Na pesquisa do\u00a0<em>Science Pulse<\/em>, a popularidade, que diz respeito \u00e0 quantidade de seguidores que um perfil possui, foi utilizada apenas como crit\u00e9rio de desempate. Os principais influenciadores foram selecionados levando em considera\u00e7\u00e3o dois fatores:\u00a0<em>articula\u00e7\u00e3o<\/em>, que avalia quais perfis s\u00e3o a ponte entre diferentes grupos e t\u00eam a maior capacidade de difundir suas mensagens na rede, e\u00a0<em>autoridade<\/em>, que demonstra quais s\u00e3o os perfis centrais na difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na rede.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico brasileiro mais alto no\u00a0<em>sub-ranking<\/em>\u00a0espec\u00edfico de autoridade foi o epidemiologista Dr. Otavio Ranzani @otavio_ranzani. No primeiro lugar mundial deste\u00a0<em>sub-ranking<\/em>\u00a0est\u00e1 o Dr. Eric Topol,\u00a0<sup>[<a>5<\/a>]<\/sup>\u00a0editor-chefe do\u00a0<em>Medscape.<\/em><\/p>\n<p><b>Desenvolvimento profissional,\u00a0<em>networking<\/em>\u00a0e educa\u00e7\u00e3o continuada<\/b><\/p>\n<p>A primeira dica da Cartilha de Uso de m\u00eddias sociais para cirurgi\u00f5es cardiotor\u00e1cicos\u00a0<sup>[<a>6<\/a>]<\/sup>\u00a0\u00e9 identificar o papel que se quer ter nas m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p>A cartilha indica que as m\u00eddias sociais podem ser \u00fateis para chamar aten\u00e7\u00e3o para informa\u00e7\u00f5es rec\u00e9m-publicadas em peri\u00f3dicos que, se n\u00e3o fossem divulgadas, poderiam ser negligenciadas, mas servem tamb\u00e9m para impulsionar a conex\u00e3o com colegas, pacientes, popula\u00e7\u00e3o geral, ativistas, imprensa, bem como para combater a desinforma\u00e7\u00e3o, abordar quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, entre outros fins. Destaca tamb\u00e9m que as plataformas podem ser utilizadas para aprender e compartilhar melhores pr\u00e1ticas cl\u00ednicas e pesquisas cient\u00edficas baseadas em evid\u00eancias, al\u00e9m de\u00a0<em>network<\/em>\u00a0e mentoria.<\/p>\n<p>Segundo o Dr. Ricardo, o\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0\u00e9 a plataforma mais adequada para divulgar e discutir o conhecimento m\u00e9dico, ou seja, n\u00e3o apenas para divulgar as novas evid\u00eancias, mas tamb\u00e9m para escrutinar as evid\u00eancias que v\u00e3o surgindo.<\/p>\n<p>Ele referiu a forte presen\u00e7a no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0do Congresso Portugu\u00eas de Cardiologia, que ocorreu no fim de semana que precedeu a entrevista. \u201cIsto \u00e9 regra, todos os congressos promovem esta presen\u00e7a. Isto obviamente facilita a dissemina\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia que est\u00e1 a acontecer. No congresso do\u00a0<em>American College of Cardiology<\/em>, a presen\u00e7a no\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0\u00e9 tamb\u00e9m fundamental.\u201d<\/p>\n<p>Na oncologia, tamb\u00e9m se promove que os profissionais estejam atentos ao papel das m\u00eddias sociais no desenvolvimento profissional, nas oportunidades de\u00a0<em>networking<\/em>\u00a0e, cada vez mais, na promo\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Algumas faculdades de medicina dos Estados Unidos, cientes dessas atividades nas redes sociais por parte de seus docentes, as levam em conta para as avalia\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o.\u00a0<sup>[<a>7<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Twitter<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 bastante usado para conversas informais sobre temas de interesse comum, porque oferece aos usu\u00e1rios a possibilidade de reunirem-se em uma mesa-redonda virtual (e inclusiva), independentemente da posi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, cl\u00ednica ou da localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Com 15,1 mil seguidores, a pneumologista brasileira Dra. Let\u00edcia Kawano-Dourado @leticiakawano se diz f\u00e3 do\u00a0<em>Twitter<\/em>. \u201cFoi uma das melhores coisas profissionais que me aconteceram. Fa\u00e7o amigos,\u00a0<em>network<\/em>\u00a0profissional e tenho espa\u00e7o para minha milit\u00e2ncia por equidade de g\u00eanero \u2013 onde encontro gente com interesse e profundidade no assunto semelhantes \u00e0s minhas!\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.leticiakawano.com\/post\/twitter-a-plataforma-digital-mais-conectada-na-medicina-e-na-ci%C3%AAncia\">escreveu em seu\u00a0<em>blog<\/em>\u00a0<\/a>.<\/p>\n<p>No\u00a0<em>blog<\/em>, ela relata que marcou colegas em um fio de discuss\u00e3o (ou\u00a0<em>thread<\/em>, em ingl\u00eas) para opinar sobre um projeto rec\u00e9m-publicado no peri\u00f3dico NEJM e que um dos coautores entrou na conversa para discutir os pontos controversos do assunto. \u201cIsso n\u00e3o tem pre\u00e7o, esse acesso horizontal a colegas de alt\u00edssimo n\u00edvel que, sem o mundo digital, simplesmente n\u00e3o seria poss\u00edvel. Essa horizontaliza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es antes hier\u00e1rquicas est\u00e1 revolucionando as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de pesquisa (&#8230;)\u201d, afirmou a m\u00e9dica na postagem feita em seu\u00a0<em>site<\/em>.<\/p>\n<p><b>Revis\u00e3o por pares pr\u00e9 e p\u00f3s-publica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o das pesquisas nas m\u00eddias sociais facilita a revis\u00e3o por pares de pesquisas em pr\u00e9-impress\u00e3o. Mas tamb\u00e9m a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o dos resultados das pesquisas publicadas funciona como um s\u00edmil de revis\u00e3o por pares, porque gera cr\u00edticas, muitas vezes acompanhadas de opini\u00e3o e conte\u00fado especializados. Houve casos em que discrep\u00e2ncias em artigos publicados foram prontamente identificadas e retificadas devido \u00e0 postagem de cr\u00edticas nas m\u00eddias sociais.\u00a0<sup>[<a>8<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>No entanto, diferentemente do processo de revis\u00e3o por pares, as m\u00eddias sociais n\u00e3o t\u00eam verifica\u00e7\u00e3o de qualidade nem \u00e1rbitro ou moderador para poss\u00edveis disputas cient\u00edficas. A falta de curadoria, fiscaliza\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o em discuss\u00f5es nas m\u00eddias sociais faz com que essas ferramentas tanto possam ajudar a divulgar pesquisas baseadas em evid\u00eancias como a facilitar pr\u00e1ticas ou discuss\u00f5es sem evid\u00eancias, ampliando a desinforma\u00e7\u00e3o.\u00a0<sup>[<a>6<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>\u201cO\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0obviamente n\u00e3o substitui o processo formal de\u00a0<em>peer review<\/em>\u00a0cl\u00e1ssico dos artigos antes da publica\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o Dr. Ricardo. Ele comparou a plataforma com a presen\u00e7a em um congresso. \u201cDentro das participa\u00e7\u00f5es construtivas h\u00e1 efetivamente um escrut\u00ednio e discuss\u00f5es muito interessantes. N\u00e3o diria propriamente\u00a0<em>peer review<\/em>, \u00e9 uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>peer analysis\u201d.<\/em><\/p>\n<p><b>Mudan\u00e7a de paradigma ou um degrau na evolu\u00e7\u00e3o<\/b>\u00a0<b>do interc\u00e2mbio acad\u00eamico<\/b>\u00a0<b>?<\/b><\/p>\n<p>Muitas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas adotaram, al\u00e9m dos m\u00e9todos cl\u00e1ssicos, o\u00a0<em>Altmetric<\/em>\u00a0para medir o desempenho de seus artigos em tempo real no cen\u00e1rio digital. A ferramenta captura o que acontece com v\u00e1rias fontes, considerando n\u00e3o apenas o engajamento nas redes sociais (<em>Twitter<\/em>,\u00a0<em>Facebook, LinkedIn<\/em>, entre outras) mas tamb\u00e9m o n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es na\u00a0<em>Wikipedia<\/em>, em agregadores de not\u00edcias,\u00a0<em>blogs<\/em>, no\u00a0<em>YouTube<\/em>, entre outros. Logicamente, os artigos mais novos t\u00eam uma vantagem sobre os mais antigos, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avaliar a credibilidade ou validade de quem divulga o artigo nas m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p>Mas, o fato \u00e9 que, para muitos pesquisadores, publicar o artigo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o final da linha. Estima-se que a divulga\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias sociais ajude a garantir que o trabalho seja visto e tenha um impacto duradouro, inclusive no campo espec\u00edfico.\u00a0<sup>[<a>6<\/a>]<\/sup>\u00a0Representa a transi\u00e7\u00e3o de um paradigma, no qual o impacto de um artigo cient\u00edfico n\u00e3o fica mais circunscrito apenas ao c\u00edrculo restritivo de pares, mas a import\u00e2ncia do trabalho acad\u00eamico \u00e9 medida pela influ\u00eancia e o impacto nos c\u00edrculos acad\u00eamicos e na popula\u00e7\u00e3o em geral.\u00a0<sup>[<a>9<\/a>]<\/sup><\/p>\n<p>Ao ser indagado se estamos diante de uma mudan\u00e7a de paradigma na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou se este \u00e9 apenas um degrau na evolu\u00e7\u00e3o do intercambio acad\u00eamico, o Dr. Ricardo respondeu: \u201cAcho que s\u00e3o os dois\u201d.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico, este \u00e9 mais um passo dentro da evolu\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 cada vez mais informa\u00e7\u00f5es, mais evid\u00eancias, uma comunidade maior, que pretende obter informa\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pido \u2013 cen\u00e1rio pouco prov\u00e1vel h\u00e1 10 anos. \u201cMas, por um lado, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o, porque mudou muito a forma de nos comunicarmos, e a forma como n\u00f3s consumimos informa\u00e7\u00e3o. Hoje em dia \u00e9 muito f\u00e1cil mesmo para algu\u00e9m n\u00e3o presente em um congresso estar praticamente a par de tudo o que est\u00e1 a acontecer, devido ao grande n\u00famero de participantes no local que est\u00e3o a tuitar palestras\u201d, refletiu.<\/p>\n<p>Para o Dr. Ricardo, o\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0tem tido e vai continuar a ter uma utilidade crescente no mundo cient\u00edfico e acad\u00eamico.<\/p>\n<p>\u201cEu diria que, de uma forma geral,\u00a0<em>Twitter<\/em>\u00a0\u00e9 a plataforma que a comunidade cient\u00edfica acha mais adequada para divulgar conhecimento m\u00e9dico e para discuss\u00e3o do conhecimento m\u00e9dico pronto. Isto \u00e9 a minha opini\u00e3o pessoal, mas vem em linha com as atividades de muitas sociedades m\u00e9dicas. \u00c9 um canal preferencial. Vamos ver o que acontece agora que o Elon Musk comprou [a plataforma], mas esperemos que continue pelo menos como est\u00e1.\u201d<\/p>\n<p><b>7 dicas para melhorar o uso das m\u00eddias sociais<\/b><\/p>\n<ol>\n<li>Para impulsionar o compartilhamento e a cita\u00e7\u00e3o dos artigos, crie imagens, infogr\u00e1ficos ou resumos visuais que possam ser facilmente divulgados. O conte\u00fado multim\u00eddia pode aumentar o engajamento, bem como fornecer um \u00e2ngulo ou perspectiva alternativa ao artigo. Inclua um resumo \u2018tuit\u00e1vel\u2019 do artigo para ajudar na reten\u00e7\u00e3o da mensagem principal, bem como para fornecer aos seguidores um texto para compartilhar. Incorpore\u00a0<em>hashtags<\/em>, marque os autores e as institui\u00e7\u00f5es para que possam se envolver na discuss\u00e3o\u00a0<em>on-line<\/em>.<\/li>\n<li>Embora a atividade apresente riscos para a sua reputa\u00e7\u00e3o profissional, estes riscos podem ser atenuados atrav\u00e9s da abordagem certa. Verifique a precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e a fonte antes de postar ou compartilhar. Caso seja cometido um erro, certifique-se de que seja corrigido de forma r\u00e1pida e transparente. N\u00e3o discuta ou escreva coment\u00e1rios inapropriados, nem poste nada que possa lamentar. Ignorar algu\u00e9m pode ser a maneira mais simples de n\u00e3o responder a intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o profissionais. N\u00e3o fa\u00e7a postagens quando estiver irritado, exausto ou embriagado. Lembre-se de que as redes s\u00e3o imediatas, mas tamb\u00e9m eternas.<\/li>\n<li>N\u00e3o divulgue nenhuma informa\u00e7\u00e3o que viole o direito \u00e0 privacidade dos pacientes. Sempre anonimize imagens e v\u00eddeos cl\u00ednicos, e obtenha consentimento por escrito dos pacientes antes de compartilhar seus dados.<\/li>\n<li>Conhe\u00e7a as pol\u00edticas de sua institui\u00e7\u00e3o sobre a divulga\u00e7\u00e3o em m\u00eddias sociais e deixe claro se as suas atividades\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0representam a sua institui\u00e7\u00e3o ou se s\u00e3o de natureza pessoal.<\/li>\n<li>Seja transparente sobre poss\u00edveis conflitos de interesses. Voc\u00ea pode usar a #FCOI (do ingl\u00eas,<em>\u00a0financial conflicts of interest<\/em>) e divulgar um link em seu perfil com informa\u00e7\u00f5es mais completas.<\/li>\n<li>Poste de forma consciente. Pense em como a informa\u00e7\u00e3o pode ser recebida e percebida pelo p\u00fablico leigo. N\u00e3o se deve fornecer aconselhamento m\u00e9dico nas m\u00eddias sociais; pacientes solicitando aconselhamento devem ser orientados a procurar atendimento m\u00e9dico.<\/li>\n<li>Considere n\u00e3o apenas &#8220;quantas pessoas voc\u00ea conhece&#8221;, mas tamb\u00e9m &#8220;quem voc\u00ea conhece&#8221;. Acompanhe conte\u00fados de organiza\u00e7\u00f5es respeitadas, grandes revistas da sua \u00e1rea e l\u00edderes de opini\u00e3o. A conex\u00e3o com um perfil influenciador \u00e9 mais importante do que com um indiv\u00edduo solit\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Em um estudo recente, uma estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o de artigos sobre medicina cardiovascular no\u00a0Twitter\u00a0foi associada n\u00e3o apenas a aumento da visibilidade\u00a0on-line, mas tamb\u00e9m a<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18553,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18551"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18551"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18554,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18551\/revisions\/18554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}