{"id":18321,"date":"2022-06-06T08:13:13","date_gmt":"2022-06-06T11:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=18321"},"modified":"2022-06-07T13:18:00","modified_gmt":"2022-06-07T16:18:00","slug":"quase-metade-dos-estudantes-de-medicina-apresentou-fadiga-de-zoom-durante-ensino-remoto-na-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/quase-metade-dos-estudantes-de-medicina-apresentou-fadiga-de-zoom-durante-ensino-remoto-na-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"Quase metade dos estudantes de medicina apresentou &#8216;fadiga de Zoom&#8217; durante ensino remoto na pandemia de covid-19"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6507767?uac=432468CR&amp;faf=1&amp;sso=true&amp;impID=4171989&amp;src=WNL_ptmdpls_220418_mscpedit_gen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Medscape<\/a><\/p>\n<p>Durante a pandemia de covid-19, o ensino a dist\u00e2ncia cresceu em todo o mundo e a realiza\u00e7\u00e3o de aulas via plataformas virtuais tornou-se uma estrat\u00e9gia importante. Mas, apesar desse avan\u00e7o, surgiram novos desafios, entre eles, o aumento dos casos de \u2018fadiga de\u00a0<em>Zoom\u2019<\/em>, quadro caracterizado por exaust\u00e3o extrema associada \u00e0 longa exposi\u00e7\u00e3o a videoconfer\u00eancias. Um estudo realizado com graduandos de medicina de diferentes institui\u00e7\u00f5es de ensino do Cear\u00e1 revela que quase metade dos alunos apresentou fadiga de\u00a0<em>Zoom<\/em><sup>[<a>1<\/a>]<\/sup>\u00a0durante o in\u00edcio de 2021, por\u00e9m o problema foi menos prevalente entre aqueles que tiveram aulas baseadas em metodologias ativas de ensino que possibilitavam maior engajamento.<\/p>\n<p>De maio a junho de 2021, pesquisadores do Centro Universit\u00e1rio Christus (Unichristus), do Brasil, e da\u00a0<em>Harvard T. H. Chan School of Public Health<\/em>, dos Estados Unidos, avaliaram 541 graduandos de medicina de centros universit\u00e1rios do Cear\u00e1. Os alunos tinham em m\u00e9dia 23 anos de idade e 68,5% eram mulheres.<\/p>\n<p>Enquanto 14,4% tiveram aulas remotas utilizando o m\u00e9todo de ensino e aprendizagem denominado\u00a0<em>problem based learning<\/em>\u00a0(PBL) \u201cpuro\u201d, 85,6% foram tiveram aulas em um formato \u201ch\u00edbrido\u201d, que mesclava o modelo PBL com o ensino tradicional. Em todos os casos, as aulas foram realizadas de forma virtual.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico Dr. Marcos Kubrusly, doutor em nefrologia, professor da Unichristus e um dos autores da pesquisa, o PBL surgiu na d\u00e9cada de 1960 no Canad\u00e1 e consiste em um tipo de metodologia ativa, na qual o aprendizado se d\u00e1 a partir da resolu\u00e7\u00e3o de problemas. &#8220;\u00c9 conduzido com um pequeno grupo e n\u00e3o temos um professor, temos um facilitador que ajuda o aluno na busca aut\u00f4noma do conhecimento\u201d, explicou em entrevista ao\u00a0<em>Medscape<\/em>.<\/p>\n<p>Como o PBL lida com a aprendizagem do adulto, exige certo grau de maturidade por parte dos alunos. Buscando contemplar os estudantes que ainda t\u00eam dificuldade nesse aspecto, ou seja, que apresentam maior grau de imaturidade, educadores passaram a adaptar o PBL, mesclando-o com o ensino tradicional, que \u00e9 baseado na exposi\u00e7\u00e3o dialogada. A estrat\u00e9gia que une essas duas metodologias de ensino foi chamada pelos pesquisadores de metodologia h\u00edbrida.<\/p>\n<p>Na pesquisa em quest\u00e3o, os autores investigaram uma poss\u00edvel associa\u00e7\u00e3o entre o m\u00e9todo de ensino usado e a preval\u00eancia de fadiga de <em>Zoom<\/em>. A partir da an\u00e1lise de question\u00e1rios respondidos pelos estudantes, com quest\u00f5es da escala\u00a0<em>Zoom Exhaustion &amp; Fatigue Scale<\/em>\u00a0(ZEF) validada para o portugu\u00eas do Brasil,<sup>[<a>2<\/a>]<\/sup>\u00a0os pesquisadores identificaram que 56% dos estudantes que usaram o modelo h\u00edbrido apresentaram fadiga de\u00a0<em>Zoom<\/em>\u00a0contra 41% dos alunos que usaram a metodologia PBL \u201cpura\u201d. A preval\u00eancia geral de fadiga de\u00a0<em>Zoom<\/em>\u00a0foi de 48%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os autores notaram que os alunos que usaram o modelo h\u00edbrido sentiam mais frequentemente o desejo de permanecer sozinhos ap\u00f3s a videoconfer\u00eancia (16,9%\u00a0<em>versus<\/em>\u00a07,1%) e tamb\u00e9m mais necessidade de tempo para ficar sozinhos ap\u00f3s o encontro\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0(10,2 versus 3,6%) do que os que usaram o modelo PBL \u201cpuro\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o Dr. Marcos, a equipe observou que os alunos estavam com uma sobrecarga cognitiva. \u201cEles relatavam que n\u00e3o conseguiam mais assistir \u00e0s aulas, que desligavam as c\u00e2meras\u201d, pontuou o m\u00e9dico, lembrando que a comunica\u00e7\u00e3o humana \u00e9, ao mesmo tempo, verbal e n\u00e3o verbal e tem que ser sincronizada, o que exige um esfor\u00e7o grande. No ambiente virtual, essa tarefa se torna ainda mais desafiadora, uma vez que essa sincronia n\u00e3o ocorre naturalmente, as pessoas permanecem paradas, ou seja, h\u00e1 uma escassez de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal, h\u00e1 uma dificuldade para interpretar os gestos e a linguagem corporal dos colegas.<\/p>\n<p>O Dr. Hermano Rocha, m\u00e9dico, Doutor em Sa\u00fade Coletiva, p\u00f3s-doutorando e professor da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), tamb\u00e9m participou da pesquisa em quest\u00e3o. Em entrevista ao\u00a0<em>Medscape<\/em>, ele explicou que a continua\u00e7\u00e3o dos estudos tem mostrado que boa parte das dificuldades verificadas no ensino remoto est\u00e1 associada \u00e0 c\u00e2mera.<\/p>\n<p>\u201cO fato de estarmos vendo uma pessoa, mas, na realidade, estarmos longe dela, e tamb\u00e9m a vis\u00e3o permanente do seu pr\u00f3prio rosto na tela, bem como de poss\u00edveis pessoas passando no entorno, podem contribuir para deixar as pessoas t\u00edmidas\u201d, afirmou, explicando que a quest\u00e3o ainda \u00e9 nova na literatura m\u00e9dica e tem certa similaridade com o medo de palco. O grupo atualmente est\u00e1 conduzindo mais estudos espec\u00edficos sobre o efeito da c\u00e2mera no ensino a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s diferen\u00e7as observadas entre os grupos que foram submetidos a metodologias ativas de ensino distintas, o Dr. Marcos explicou que a maior sobrecarga do m\u00e9todo h\u00edbrido verificada nos alunos ocorreu porque eles tiveram um n\u00famero maior de videoconfer\u00eancias, que exigiu um tempo de concentra\u00e7\u00e3o maior e tamb\u00e9m um intervalo de tempo menor entre os encontros\u00a0<em>on-line<\/em>.<\/p>\n<p>O problema, no entanto, n\u00e3o diz respeito ao tipo de metodologia de ensino usado, especificamente, mas sim \u00e0 falta de motiva\u00e7\u00e3o associada a algumas abordagens. \u201cMesmo no modelo tradicional de exposi\u00e7\u00e3o dialogada, se fizermos o aluno se sentir parte do meio, se ele for motivado, teremos um efeito similar ao do m\u00e9todo PBL \u2018puro\u2019. O importante \u00e9 deixar o aluno fazer parte de um ensino interativo, ele tem que fazer parte daquela aula, daquela confer\u00eancia\u201d, destacou o Dr. Marcos e acrescentou que \u201ca pandemia vai deixar um legado importante para a educa\u00e7\u00e3o em todo o mundo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Medscape Durante a pandemia de covid-19, o ensino a dist\u00e2ncia cresceu em todo o mundo e a realiza\u00e7\u00e3o de aulas via plataformas virtuais tornou-se uma<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18323,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18321"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18324,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18321\/revisions\/18324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}