{"id":16009,"date":"2021-05-17T09:52:51","date_gmt":"2021-05-17T12:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=16009"},"modified":"2021-06-02T08:52:25","modified_gmt":"2021-06-02T11:52:25","slug":"ufmg-pesquisa-mostra-aprofundamento-de-desigualdades-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/ufmg-pesquisa-mostra-aprofundamento-de-desigualdades-na-infancia\/","title":{"rendered":"UFMG: pesquisa mostra aprofundamento de desigualdades na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a que aproxima e afasta as pessoas\u201d. Foi assim que uma menina de 10 anos, da regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, revelou o que sente com a pandemia. Ela faz parte da pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que analisa as experi\u00eancias de crian\u00e7as em tempos de pandemia do novo coronav\u00edrus. Foram 2.200 participantes de 8 a 12 anos. Entre os resultados dos estudos, percep\u00e7\u00f5es sobre a viv\u00eancia familiar, mas, sobretudo, a evid\u00eancia de que as desigualdades se aprofundam, deixando crian\u00e7as ainda mais vulner\u00e1veis.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1409124&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1409124&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as est\u00e3o sofrendo, sofrendo pela aus\u00eancia de escola, pela mudan\u00e7a do seu cotidiano, pela mudan\u00e7a no seu contexto de rela\u00e7\u00f5es, pela experi\u00eancia subjetiva de lidar com a incerteza, com o medo de adoecimento, mas a gente observa que h\u00e1 uma desigualdade na forma de vivenciar essa experi\u00eancia. Esse \u00e9 um elemento muito importante\u201d, explica Isabel de Oliveira, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFMG e pesquisadora do\u00a0 N\u00facleo de Estudos e Pesquisa sobre Inf\u00e2ncia e Educa\u00e7\u00e3o Infantil (Nepei).<\/p>\n<p>Ela cita como exemplo o acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o. Ao analisar o uso de computador,\u00a0<em>tablet<\/em>, celular ou internet em casa, viu-se que mais crian\u00e7as que se autodeclararam brancas afirmaram ter acesso a essas ferramentas do que as pardas e as pretas. Entre as que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet, 11,1% moram em territ\u00f3rios de alta vulnerabilidade. O mesmo ocorre com o acesso ao celular: 11,6%.<\/p>\n<p>A pesquisa foi desenvolvida por meio de um question\u00e1rio\u00a0<em>online<\/em>\u00a0entre os dias 11 de junho e 15 de julho de 2020, com perguntas abertas e fechadas. Al\u00e9m disso, as crian\u00e7as puderam enviar desenhos, fotografias e mensagens. Na segunda fase, entre agosto e dezembro, foram feitas entrevistas com 33 dos volunt\u00e1rios que participaram na primeira etapa.<\/p>\n<p>Isabel explica que \u00e9 fundamental ouvir as crian\u00e7as, inclusive, para formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que respondam a essas viv\u00eancias. A pr\u00e1tica \u00e9 comum no Nepei e parte do reconhecimento de que elas podem e devem se posicionar, mas tamb\u00e9m o reconhecimento de um direito. \u201cJ\u00e1 est\u00e1 previsto legalmente. Ent\u00e3o entendemos que era nosso papel buscar ouvir\u201d, aponta. O estudo, a partir da escuta das crian\u00e7as, definiu recomenda\u00e7\u00f5es para o Poder P\u00fablico e a sociedade no atendimento desse p\u00fablico na pandemia. Uma delas \u00e9, justamente, ouvi-las.<\/p>\n<p><strong>Outros achados<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho revelou que as crian\u00e7as t\u00eam um conhecimento apurado sobre os significados da pandemia, demonstrando, por exemplo, saber sobre a import\u00e2ncia do isolamento. A solidariedade intergeracional tamb\u00e9m foi uma marca encontrada. \u201cEm geral, elas tinham essa compreens\u00e3o de que o maior risco era para as gera\u00e7\u00f5es mais velhas e elas diziam ent\u00e3o que elas tinham o dever, a responsabilidade de aderir ao isolamento social em fun\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o dessas pessoas mais velhas\u201d, aponta a pesquisadora.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia de ang\u00fastias e medos tamb\u00e9m apareceram entre as respostas. \u201cElas se viram mais confrontadas com temas que n\u00e3o necessariamente faziam parte dos assuntos com os quais elas se envolviam, como o tema da morte, o tema do adoecimento, o medo da morte de pessoas pr\u00f3ximas, medo de ficarem sozinhas\u201d, explica Isabel. Em contraponto, as crian\u00e7as demonstraram a capacidade de desenvolver estrat\u00e9gias de aprendizados e a valoriza\u00e7\u00e3o da conviv\u00eancia familiar.<\/p>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do exerc\u00edcio de escutar as crian\u00e7as para desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas e pedag\u00f3gicas, Isabel destaca a necessidade de considerar as desigualdades reveladas. \u201c\u00c9 preciso considerar que as mudan\u00e7as na experi\u00eancia cotidiana aconteceram para todas as crian\u00e7as, mas a forma como isso acontece \u00e9 muito diferente considerando a condi\u00e7\u00e3o social e que h\u00e1 entre as crian\u00e7as situa\u00e7\u00f5es de ainda maior vulnerabilidade do que aquela que j\u00e1 existia.\u201d<\/p>\n<p>A professora refor\u00e7a ainda a import\u00e2ncia de que essas viv\u00eancias na pandemia sejam observadas no retorno \u00e0s aulas. \u201cPrecisa olhar essa crian\u00e7a e n\u00e3o o conte\u00fado eventualmente perdido. Que crian\u00e7a \u00e9 essa que volta agora e com a qual a gente vai voltar a trabalhar?\u201d, questiona. Ela cita como exemplo as poss\u00edveis perdas de familiares e adoecimentos. Ainda nos casos em que permanece o ensino remoto, a pesquisadora aponta que n\u00e3o se deve buscar uma reprodu\u00e7\u00e3o do modelo presencial.<\/p>\n<p><strong>Significado da escola<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 80% das crian\u00e7as ouvidas estavam preocupadas com a aus\u00eancia na escola. \u201cA falta da escola revelou o quanto esse espa\u00e7o \u00e9 importante para as crian\u00e7as. N\u00f3s tivemos um n\u00famero baix\u00edssimo de crian\u00e7as que falaram: \u2018Melhor \u00e9 n\u00e3o ir pra escola\u2019.&#8221; Al\u00e9m do local de ensino, a escola \u00e9 relatada como o espa\u00e7o e sociabilidade, do encontro com os amigos e da aprendizagem conjunta.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um funcionamento que separa o cognitivo do restante. A gente j\u00e1 sabe disso teoricamente, mas foi interessante ouvir isso das pr\u00f3prias crian\u00e7as. A condi\u00e7\u00e3o delas de aprendizagem do conte\u00fado precisa ser de forma integral, considerando sa\u00fade f\u00edsica, emocional, suas condi\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil \u201cA doen\u00e7a que aproxima e afasta as pessoas\u201d. 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