{"id":15907,"date":"2021-05-03T07:43:47","date_gmt":"2021-05-03T10:43:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=15907"},"modified":"2021-05-05T10:45:55","modified_gmt":"2021-05-05T13:45:55","slug":"inca-lista-agentes-cancerigenos-relacionados-ao-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/inca-lista-agentes-cancerigenos-relacionados-ao-trabalho\/","title":{"rendered":"Inca lista agentes cancer\u00edgenos relacionados ao trabalho"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer Jos\u00e9 Alencar Gomes da Silva (Inca) listou em uma publica\u00e7\u00e3o os agentes cancer\u00edgenos relacionados ao trabalho. O objetivo \u00e9 ajudar os profissionais de sa\u00fade a identificar os principais agentes qu\u00edmicos, f\u00edsicos e biol\u00f3gicos presentes no ambiente geral e ocupacional, que contribuem para o desenvolvimento de c\u00e2ncer.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1408456&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1408456&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A epidemiologista Ubirani Otero, chefe da \u00c1rea T\u00e9cnica Ambiente, Trabalho e C\u00e2ncer do Inca, disse \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que os principais c\u00e2nceres relacionados ao trabalho s\u00e3o os de pulm\u00e3o, bexiga e, mais recentemente, linfomas e de pele n\u00e3o melanoma. S\u00e3o 38 partes do corpo que podem desenvolver o c\u00e2ncer, o dobro do n\u00famero elencado no livro\u00a0<em>Diretrizes para a vigil\u00e2ncia do c\u00e2ncer relacionado ao trabalho<\/em>, organizado pelo Inca, em 2012.<\/p>\n<p>Entre as 38 \u00e1reas mapeadas, Ubirani citou ainda o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o relacionado \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao amianto, c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, laringe, faringe, de gl\u00e2ndulas salivares, de f\u00edgado. Segundo a epidemiologista, a preven\u00e7\u00e3o aos c\u00e2nceres relacionados ao ambiente do trabalho come\u00e7a pela divulga\u00e7\u00e3o \u201cao m\u00e1ximo\u201d das informa\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es para os trabalhadores sobre onde est\u00e3o esses agentes que oferecem maior risco para a sa\u00fade. \u201cEsses produtos poderiam ser substitu\u00eddos por outros que oferecem menor risco \u00e0 sa\u00fade\u201d, destacou a m\u00e9dica.<\/p>\n<h2>Custos<\/h2>\n<p>Por v\u00e1rias raz\u00f5es, entretanto, entre elas o custo menor, as empresas acabam buscando produtos que j\u00e1 foram proibidos em outros pa\u00edses. \u201cIsso acontece, por exemplo, com agentes qu\u00edmicos que j\u00e1 s\u00e3o obsoletos em outros pa\u00edses e n\u00f3s, aqui, ainda estamos convivendo com eles\u201d. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 informar \u00e0 sociedade, ao trabalhador e aos empregadores e estabelecer medidas protetivas de sa\u00fade para reduzir essa exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Inca vem alertando para esse problema h\u00e1 alguns anos e participa de f\u00f3runs e audi\u00eancias p\u00fablicas, divulgando informa\u00e7\u00f5es. Segundo a epidemiologista, esses s\u00e3o fatores de risco evit\u00e1veis, principalmente no que se refere aos agentes qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>No ano passado, o Inca revelou resultados relacionados ao benzeno, que \u00e9 um solvente utilizado na gasolina e que afeta, em especial, trabalhadores de postos de combust\u00edveis. Ubirani Otero disse que por meio de medidas simples por parte dos empregadores, essa exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ao benzeno pode ser bem reduzida. \u201cO nosso papel \u00e9 informar e dar suporte \u00e0 vigil\u00e2ncia de sa\u00fade em estados e munic\u00edpios, dizendo onde est\u00e3o esses agentes, quais os riscos a essas exposi\u00e7\u00f5es, quais os efeitos \u00e0 sa\u00fade, al\u00e9m da quest\u00e3o regulat\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<h2>Contamina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ubirani alertou que alguns pacientes detectados com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, por exemplo, podem ter sido contaminados por agentes cancer\u00edgenos ao longo da vida de trabalho e, por falta de notifica\u00e7\u00e3o, muitas vezes, essa rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 descoberta depois que eles se aposentam. Da\u00ed a necessidade de recuperar o hist\u00f3rico ocupacional porque muitos c\u00e2nceres n\u00e3o se revelam imediatamente. \u00c9 o caso do amianto. \u201c\u00c9 um tipo de c\u00e2ncer que leva mais tempo para surgir, em torno de 40 a 50 anos, e \u00e9 preciso acionar a empresa onde ele trabalhou por muitos anos na constru\u00e7\u00e3o civil, na fabrica\u00e7\u00e3o de telhas ou caixas d&#8217;\u00e1gua. Isso aparece no hist\u00f3rico ocupacional\u201d.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 27 de abril, o Inca firmou acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho para o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es, estudos e projetos conjuntos em prol do meio ambiente e da sa\u00fade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Ubirani Otero ressaltou que o acordo tem por meta planejar e executar um projeto nacional de vigil\u00e2ncia do c\u00e2ncer relacionado ao trabalho e ao ambiente. \u201cNesse acordo, a gente pretende intensificar as orienta\u00e7\u00f5es para os profissionais de sa\u00fade, para peritos do INSS, os pr\u00f3prios procuradores da Rep\u00fablica, ajudando a identificarem os agentes cancer\u00edgenos, os tipos de c\u00e2ncer atrelados a esses agentes, para que a gente possa estabelecer medidas, come\u00e7ando pela melhoria da notifica\u00e7\u00e3o desses casos\u201d.<\/p>\n<h2>Fatores ocupacionais<\/h2>\n<p>A maior parte dos casos de c\u00e2ncer diagnosticados em todo o mundo apresenta uma rela\u00e7\u00e3o direta com fatores de riscos ambientais, incluindo o ambiente ocupacional. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de 80% do total de casos de c\u00e2ncer podem ser atribu\u00eddos ao ambiente como um todo, e n\u00e3o s\u00f3 ao ambiente do trabalho. A mais recente estimativa mundial aponta que, em 2018, ocorreram 18 milh\u00f5es de novos casos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer n\u00e3o \u00e9 causado apenas por quest\u00f5es gen\u00e9ticas ou heredit\u00e1rias, afirmou a epidemiologista. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d. De forma geral, os c\u00e2nceres atribu\u00eddos a fatores ocupacionais variam de 5% a 8%, embora existam determinados tipos de c\u00e2ncer em que a rela\u00e7\u00e3o pode ser bem maior. \u00c9 o caso do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, que fica em torno de 20% a 21%. O Inca destaca que cerca de 20% dos casos desse tipo de neoplasia em homens poderiam ser evitados caso n\u00e3o houvesse exposi\u00e7\u00e3o ocupacional a um grande n\u00famero de agentes presentes nos ambientes de trabalho, entre os quais amianto, metais, s\u00edlica, rad\u00f4nio, produtos da exaust\u00e3o de motores a diesel.<\/p>\n<p>De acordo com o Inca, os fatores de risco ambientais envolvem, al\u00e9m dos agentes qu\u00edmicos, f\u00edsicos e biol\u00f3gicos, os h\u00e1bitos de consumo e comportamento e o ambiente social, que incluem alimenta\u00e7\u00e3o, uso de medicamentos, tabagismo, consumo de \u00e1lcool, sedentarismo e obesidade.<\/p>\n<h2>Novos casos<\/h2>\n<p>Para este ano, o Inca estima 625 mil novos casos de c\u00e2ncer no Brasil. \u201c\u00c9 um n\u00famero absurdo\u201d, disse Ubirani Otero. Ele destacou que do total de \u00f3bitos relacionados a trabalho no mundo, o c\u00e2ncer representa 32%. \u201c\u00c9 mais importante do que acidentes do trabalho e viol\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o ativa\u201d.<\/p>\n<p>Estat\u00edstica da OMS mostra que, considerando somente as doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis relacionadas ao trabalho, o c\u00e2ncer foi respons\u00e1vel por mais da metade dos \u00f3bitos registrados em 2018, alcan\u00e7ando 53%. S\u00f3 perdeu para as doen\u00e7as respirat\u00f3rias. \u201cAgora, quando a gente fala de incapacidade na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, o c\u00e2ncer gerou em 2018 mais de 10 milh\u00f5es de incapacidades\u201d, informou a m\u00e9dica do Inca.<\/p>\n<p>Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) apontam que a cada ano, no mundo, acontecem 666 mil mortes de c\u00e2nceres associados ao trabalho. Esse dado representa o dobro das mortes relacionadas aos acidentes laborais. O diagn\u00f3stico e a mortalidade por c\u00e2ncer associado ao trabalho t\u00eam aumentado em raz\u00e3o do crescimento da expectativa de vida e da redu\u00e7\u00e3o gradual de outras causas de morte, como as doen\u00e7as transmiss\u00edveis e acidentes em geral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Ag\u00eancia Brasil O Instituto Nacional de C\u00e2ncer Jos\u00e9 Alencar Gomes da Silva (Inca) listou em uma publica\u00e7\u00e3o os agentes cancer\u00edgenos relacionados ao trabalho. 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