{"id":13584,"date":"2020-06-29T10:12:06","date_gmt":"2020-06-29T13:12:06","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=13584"},"modified":"2020-06-30T13:19:45","modified_gmt":"2020-06-30T16:19:45","slug":"deputados-e-medicos-defendem-regulamentacao-da-telemedicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/deputados-e-medicos-defendem-regulamentacao-da-telemedicina\/","title":{"rendered":"Deputados e m\u00e9dicos defendem regulamenta\u00e7\u00e3o da telemedicina"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Ag\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias<\/p>\n<p>M\u00e9dicos e deputados defenderam, nesta quinta-feira (25), a regulamenta\u00e7\u00e3o da telemedicina no Brasil. Eles se disseram cientes de que, adotada emergencialmente e de forma transit\u00f3ria durante a pandemia de Covid-19, a modalidade veio para ficar e dever\u00e1 seguir regras claras ap\u00f3s a crise em sa\u00fade por que passa o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O assunto foi discutido em videoconfer\u00eancia promovida pela comiss\u00e3o externa da C\u00e2mara dos Deputados que acompanha as a\u00e7\u00f5es de combate ao novo coronav\u00edrus. \u201cM\u00e9dicos e pacientes puderam vivenciar uma experi\u00eancia. Queremos saber agora como podemos avan\u00e7ar nessa discuss\u00e3o, na teleconsulta e no aspecto remunerat\u00f3rio\u201d, afirmou a deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/204528\">Adriana Ventura (Novo-SP)<\/a>, uma das que sugeriram o debate.<\/p>\n<p>Com cautela, os convidados explicaram que telemedicina n\u00e3o se resume a teleconsulta via c\u00e2mera conectada \u00e0 internet, mas trata-se de um m\u00e9todo para prover cuidado de qualidade, envolvendo exames, aparelhagens e diagn\u00f3sticos, o que j\u00e1 ocorre em outros pa\u00edses. Conforme explicou o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Chao Lung Wen, o m\u00e9dico \u00e9 respons\u00e1vel pela escolha dos recursos para cuidar do paciente e estabelece a\u00ed um v\u00ednculo que tem a ver com a humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA telemedicina deve ser feita de forma respons\u00e1vel no aspecto digital. N\u00e3o podemos aceitar o uso de redes sociais como forma da intera\u00e7\u00e3o entre um m\u00e9dico e seu paciente. Precisamos garantir a privacidade dos dados e isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se incetivarmos a forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima para os m\u00e9dicos que forem desenvolver a telemedicina, com bio\u00e9tica digital e seguran\u00e7a digital\u201d, defendeu Chao Lung Wen.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias<\/strong><br \/>\nOs especialistas tamb\u00e9m trouxeram para o debate experi\u00eancias que j\u00e1 s\u00e3o realizadas no Brasil desde antes da pandemia. Gerente de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, Eduardo Cordioli disse que o hospital j\u00e1 faz telemedicina desde 2015 e agora, durante a crise de Covid, presta apoio remoto a 433 leitos de UTI vinculados ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em diversas localidades do Brasil.<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, a rede estadual de sa\u00fade come\u00e7ou a usar a telemedicina h\u00e1 pelo menos 15 anos, em uma estrat\u00e9gia de evitar deslocamentos de pacientes do interior para as cidades maiores em busca de tratamento. Em m\u00e9dia, 85 mil exames s\u00e3o realizados por m\u00eas dentro do sistema, evitando a movimenta\u00e7\u00e3o de 40 mil pacientes no estado.<\/p>\n<p>Procedimentos que antes ocorriam na aten\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade foram transferidos para a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e exames de diagn\u00f3stico passaram a funcionar como triagem para encaminhamentos para postos de sa\u00fade e hospitais, tudo com o apoio de profissionais da telessa\u00fade, que amparam remotamente a aten\u00e7\u00e3o direta \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>\u201cAntes, voc\u00ea passava dois, tr\u00eas meses para ganhar uma passagem na ambul\u00e2ncia ou pegar um micro-\u00f4nibus com outros dez pacientes. Voc\u00ea ia para um hospital a 250 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia com uma fila enorme de gente na porta e perdia o dia inteiro. Levava um m\u00eas para chegar um laudo \u00e0 sua cidade. Agora voc\u00ea vai ao posto de sa\u00fade, faz o exame ali e, em tr\u00eas dias, voc\u00ea recebe o resultado daquele exame\u201d, explicou o coordenador cient\u00edfico do Sistema Integrado Catarinense de Telemedicina e Telessa\u00fade, Aldo Von Wangenheim.<\/p>\n<p><strong>Lugares remotos<\/strong><br \/>\nOutros m\u00e9dicos acreditam que a telemedicina pode ser \u00fatil em munic\u00edpios remotos da Amaz\u00f4nia, onde muitas vezes um paciente precisa viajar dois dias de barco para conseguir atendimento. Nestes casos, o teleatendimento deveria ocorrer na presen\u00e7a de um m\u00e9dico generalista, no munic\u00edpio, conectado a um especialista em outra ponta.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 moralmente aceit\u00e1vel que n\u00e3o disponibilizemos um acesso por meio das tecnologias existentes a pacientes l\u00e1 no Par\u00e1, que n\u00e3o disp\u00f5em de dermatologistas? O cl\u00ednico da cidade poderia transferir uma imagem para que um dermatologista em outra unidade pudesse fazer um diagn\u00f3stico\u201d, exemplificou o presidente da Iniciativa F\u00f3rum Inova\u00e7\u00e3o Sa\u00fade (FIS), Josier Vilar.<\/p>\n<p><strong>Integra\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara o primeiro- vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Donizetti Giamberardino Filho, a telemedicina \u00e9 uma oportunidade de resgate da fragmenta\u00e7\u00e3o de rede do SUS, para integra\u00e7\u00e3o e racionaliza\u00e7\u00e3o de recursos, porque ligaria munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Ele defendeu, por outro lado, a autonomia de pacientes e m\u00e9dicos para participar ou recusar atendimentos via telemedicina. \u201cTem que haver um termo de consentimento. O m\u00e9dico deve dizer que a teleconsulta tem seus limites de seguran\u00e7a e, em qualquer momento, pode ser revertida para a consulta presencial\u201d, disse.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente foi bem destacada pelos participantes da videoconfer\u00eancia e deve ser de confian\u00e7a, garantido o sigilo de dados.<\/p>\n<p>Cr\u00edticas<br \/>\nC\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 telemedicina, o deputado <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/204412\">Dr. Zacharias Calil (DEM-GO)<\/a> acredita que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para a metodologia do ponto de vista tecnol\u00f3gico. Ele tamb\u00e9m questionou como um m\u00e9dico faria um diagn\u00f3stico de uma otite ou uma amigdalite a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precisamos praticamente mais de faculdade de medicina, porque a telemedicina vai tomar conta. N\u00e3o precisamos do Mais M\u00e9dicos no Brasil. Basta implantar a telemedicina \u2013 mas cad\u00ea a infraestrutura da internet? Ou vamos colocar apenas nos estados do Sul, que t\u00eam infraestrutura? E o restante do Brasil?\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Aldo Von Wangenheim respondeu que em Santa Catarina, no in\u00edcio, tamb\u00e9m havia problemas de conex\u00e3o. O estado, por\u00e9m, fez parcerias com uma operadora de telefonia celular para garantir a liga\u00e7\u00e3o de postos de sa\u00fade em todas as cidades. \u201cA gente consegue fazer as coisas funcionarem mesmo em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis.\u201d<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o dos parlamentares diz respeito \u00e0 concorr\u00eancia desleal, com consultas sendo oferecidas a pre\u00e7os muito baixos. \u201cQuando vejo teleconsultas sendo vendidas a R$ 4, isso \u00e9 enganar a quem mais precisa. Grandes hospitais est\u00e3o utilizando suas grifes para vender planos que n\u00e3o garantem qualidade para as pessoas mais humildes\u201d, alertou o coordenador da Frente Parlamentar da Medicina, deputado <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/178959\">Hiran Gon\u00e7alves (PP-RR)<\/a>.<\/p>\n<p>A deputada <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/81297\">Dra. Soraya Manato (PSL-ES)<\/a> tamb\u00e9m se disse preocupada com as grandes corpora\u00e7\u00f5es hospitalares que lan\u00e7am teleconsultas \u201cpor pre\u00e7os irris\u00f3rios de R$ 15\u201d.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Chao Lung Wen, a mercantiliza\u00e7\u00e3o e a competi\u00e7\u00e3o desleal podem ser combatidas com responsabiliza\u00e7\u00e3o. \u201cO m\u00e9dico e a institui\u00e7\u00e3o t\u00eam que ser respons\u00e1veis pelas consequ\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o ao paciente. O problema \u00e9 a falta de responsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d, declarou.<\/p>\n<p><strong>Separa\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO presidente da comiss\u00e3o externa, deputado <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/deputados\/204450\">Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ)<\/a>, ponderou que, para lograr sucesso, a telemedicina deve ser dividida entre sistema p\u00fablico de sa\u00fade e privado, em aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e hospitalar e ainda em n\u00edvel de consult\u00f3rio e em hospitalar.<\/p>\n<p>Para ele, uma primeira consulta nunca deve ocorrer a dist\u00e2ncia em per\u00edodos normais, desconsiderando a pandemia de Covid-19. \u201cO acompanhamento, depois que o m\u00e9dico j\u00e1 fez sua refer\u00eancia com aquele paciente presencialmente, pode ser feito de maneira remota, eu n\u00e3o vejo problema. Acho que essencialmente o problema \u00e9 nunca ter tido contato com o m\u00e9dico\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, ainda segundo Dr. Luiz Antonio, \u201cabstrair a figura do m\u00e9dico\u201d. \u201cO que n\u00e3o pode acontecer \u00e9 tirar o m\u00e9dico de um CTI com 50 pacientes internados. N\u00e3o se pode colocar o enfermeiro fazendo visita, e o m\u00e9dico acompanhando por telemonitoramento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Ag\u00eancia C\u00e2mara de Not\u00edcias M\u00e9dicos e deputados defenderam, nesta quinta-feira (25), a regulamenta\u00e7\u00e3o da telemedicina no Brasil. 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