{"id":13117,"date":"2020-05-25T12:21:36","date_gmt":"2020-05-25T15:21:36","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?p=13117"},"modified":"2020-05-25T14:25:57","modified_gmt":"2020-05-25T17:25:57","slug":"cremesp-disponibiliza-aula-online-sobre-virologia-e-metodos-diagnosticos-na-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/cremesp-disponibiliza-aula-online-sobre-virologia-e-metodos-diagnosticos-na-covid-19\/","title":{"rendered":"CREMESP disponibiliza aula online sobre Virologia e m\u00e9todos diagn\u00f3sticos na covid-19"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CREMESP<\/p>\n<p>Por se tratar de uma doen\u00e7a nova, portanto, cuja hist\u00f3ria natural e consequ\u00eancias ainda est\u00e3o sendo decifradas no mundo, a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus SARS-CoV-2 ainda suscita d\u00favidas em termos de virologia, em especial, sobre os mecanismos fisiopatol\u00f3gicos da infec\u00e7\u00e3o e seus m\u00e9todos diagn\u00f3sticos, entre outros aspectos.<\/p>\n<p>Para abordar a Virologia e M\u00e9todos Diagn\u00f3sticos na Covid-19 o Cremesp promoveu aula virtual (<em>live<\/em>) com a participa\u00e7\u00e3o do Prof. Dr Benedito Fonseca, virologista e\u00a0docente de Infectologia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeir\u00e3o Preto, al\u00e9m de doutor pela Universidade de Yale, nos EUA. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 parte de uma s\u00e9rie referente \u00e0 pandemia pelo coronav\u00edrus organizada pela Casa, que j\u00e1 incluiu, entre outras, exposi\u00e7\u00f5es sobre manejo cl\u00ednico, ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, achados radiol\u00f3gicos e manuseio das vias a\u00e9reas.<\/p>\n<p>Todas contaram com a participa\u00e7\u00e3o da plateia on line, encaminhando quest\u00f5es mediadas pelo conselheiro Edoardo Vattimo, e podem ser acessadas pelas redes sociais do Cremesp \u2013Instagram (@cremesp_crm) e<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCFOAzz5og50J0jwRBoAoR5Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0YouTube.\u00a0<\/a><\/p>\n<p><strong>Estrutura<\/strong><br \/>\nOs coronav\u00edrus s\u00e3o importantes pat\u00f3genos. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, os tidos como mais perigosos eram SARS-CoV (do termo em ingl\u00eas\u00a0<em>Severe Acute Respiratory Syndrome<\/em>), surgido em 2002 na China e com taxa de letalidade em torno de 9,6%; e MERS-CoV (<em>Middle East Respiratory Syndrome<\/em>) que, apesar de dissemina\u00e7\u00e3o restrita pelo mundo, alcan\u00e7ou taxa de mortalidade de 35%. J\u00e1 SARS-CoV-2, apresenta a taxa global de letalidade em cerca de 3.8%, dependendo do local onde \u00e9 medida.<\/p>\n<p>O agente respons\u00e1vel pela atual pandemia se apresenta na forma de v\u00edrus de RNA envelopado (\u00e9 o menor dos v\u00edrus de RNA), com genoma de fita simples, isto \u00e9, \u00e1cido nucleico n\u00e3o emparelhado, an\u00e1logo \u00e0 metade de uma escada dividida no meio. Tamb\u00e9m tem sentido positivo, isto \u00e9, pode ser traduzido em prote\u00ednas diretamente pela a\u00e7\u00e3o de ribossomos, sem a necessidade da s\u00edntese de uma fita de RNA complementar. \u00c9 tamb\u00e9m zoon\u00f3tico, o que significa que pode ser transmitido de animais para seres humanos, por ser um grupo de v\u00edrus comum entre as duas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os coronav\u00edrus s\u00e3o classificados em quatro g\u00eaneros de uma mesma ordem: coronav\u00edrus alfa, beta, gama e delta. Das sete variedades conhecidas que sa\u00edram de animais e infectaram pessoas, quatro s\u00e3o as mais disseminadas entre os humanos: \u00a0CoV-1193\u00a0<em>Alpha Mild Respiratory Tract Infection<\/em>, 1967; CoV-NL-63\u00a0<em>Alpha Mild Respiratory Tract Infection<\/em>, 1965;\u00a0<em>CoV-HKU-1 Beta Mild Respiratory Tract Infection Pneumoniae<\/em>\u00a02005; CoV-OC 43\u00a0<em>Beta Mild Respiratory Tract Infection<\/em>\u00a02004.<\/p>\n<p><strong>Infec\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><br \/>\nPara infectar as c\u00e9lulas, SARS-CoV-2 atua sobre a prote\u00edna Spike, nucleoprote\u00edna importante para o diagn\u00f3stico e patog\u00eanese da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante a infec\u00e7\u00e3o, Spike, presente na superf\u00edcie do SARS-CoV-2, se liga a uma prote\u00edna &#8220;receptora&#8221; situada no exterior das c\u00e9lulas humanas, a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), permitindo a entrada do v\u00edrus nas c\u00e9lulas do hospedeiro. Para isso, a prote\u00edna passa por uma altera\u00e7\u00e3o conformacional, processo auxiliado por uma outra prote\u00edna da membrana celular da c\u00e9lula hospedeira, o correceptor TMPRSS2 (<em>Transmembrane Serine Protease<\/em>). Esse processo permite a fus\u00e3o do envelope viral com a membrana celular. \u201cQuando mencionam o SARS-CoV-2, todo mundo fala apenas da ECA2. Na verdade, para prote\u00edna Spike ter uma intera\u00e7\u00e3o com ela, precisa do aux\u00edlio de uma outra prote\u00edna de membrana, a TMPRSS2\u201d, explica o professor Benedito Fonseca.<\/p>\n<p>Para ele, \u201co que \u00e9 interessante nesse v\u00edrus \u00e9 sua replica\u00e7\u00e3o complexa\u201d, com materiais subgen\u00f4micos. Isto \u00e9, a partir do seu genoma inicial, o v\u00edrus consegue produzir v\u00e1rias fitas de RNA mensageiro de tamanhos menores. Por\u00e9m, por ele ser um v\u00edrus de RNA de fita positiva, seu genoma original tamb\u00e9m \u00e9 capaz de produzir suas pr\u00f3prias prote\u00ednas. Contudo, al\u00e9m do RNA subgen\u00f4mico, a partir do genoma original do v\u00edrus, tamb\u00e9m \u00e9 gerada uma fita de RNA sentido negativo, intermedi\u00e1ria, a partir da qual novas fitas de RNA de sentido positivo ser\u00e3o geradas, com a meta de ser \u201cempacotada\u201d dentro do novas part\u00edculas virais.<\/p>\n<p>Conhecer os meios de replica\u00e7\u00e3o de covid-19 \u00e9 essencial ao desenvolvimento de drogas que impe\u00e7am a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, pois permite identificar potenciais alvos terap\u00eauticos. Por exemplo, pode-se pensar em estrat\u00e9gias que inibam a entrada do v\u00edrus, a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas virais e a acidifica\u00e7\u00e3o dos endossonomos, j\u00e1 que o SARS-CoV-2 precisa que os endossomos sejam acidificados, possibilitando que a enzima furina processe prote\u00ednas virais espec\u00edficas, tornando-as infecciosas.<\/p>\n<p><strong>Hospedeiros e semelhan\u00e7as entre os coronav\u00edrus<\/strong><br \/>\nOs coronavirus s\u00e3o zoon\u00f3ticos, e seu hospedeiro natural \u00e9 quase sempre o morcego. Os intermedi\u00e1rios podem ser quaisquer animais.<\/p>\n<p>Pesquisas na China indicaram que, em 2002, de alguma maneira, o SARS-CoV foi transmitido ao homem pelo hospedeiro intermedi\u00e1rio civeta (gato da cidade). Em MERS, sup\u00f5e-se que a transmiss\u00e3o ocorreu pelo dromed\u00e1rio. Por sua vez, a transmiss\u00e3o de SARS-Cov-2 \u00e9 associada ao ocorrido em mercados de rua chineses, que misturavam no mesmo ambiente animais mortos e vivos, criando a capacidade de que um agente infeccioso t\u00edpico de morcegos chegasse ao homem.<\/p>\n<p>Por meio de uma \u00e1rvore filogen\u00e9tica, foram estudadas as prote\u00ednas e o material gen\u00e9tico dos coronav\u00edrus, identificando-se que, basicamente, o SARS-CoV-2 \u00e9 80% semelhante ao coronav\u00edrus isolado na d\u00e9cada passada na China \u00a0e se localizam na mesma linha gen\u00e9tica. Tamb\u00e9m constituem a mesma fam\u00edlia e usam o mesmo receptor para a entrada na c\u00e9lula, que \u00e9 a enzima conversora de angiotensina 2. O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 bem similar entre os coronav\u00edrus, em torno de cinco dias na Covid-19, na SARS e na MERS.<\/p>\n<p><strong>Incuba\u00e7\u00e3o e transmissibilidade\u00a0<\/strong><br \/>\nA transmissibilidade da covid-19 ocorre, de um lado, por part\u00edculas pesadas que atingem at\u00e9 um metro de dist\u00e2ncia durante um espirro, e, por outro, por part\u00edculas bem menores (inferiores a cinco m\u00edcrons), que ficam suspensas no ar em forma de aeross\u00f3is. Para o professor, \u201cos esfor\u00e7os devem ser empenhados para impedir a infec\u00e7\u00e3o por got\u00edculas ou autoinocula\u00e7\u00e3o por f\u00f4mites (objetos inanimados que s\u00e3o capazes de reter e transmitir agentes infecciosos pelo contato com eles)\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, al\u00e9m da transmiss\u00e3o a\u00e9rea, outra forma comum envolve toques em superf\u00edcies contaminadas dos f\u00f4mites e, em seguida, no rosto. Para dar uma ideia de o quanto essa conduta \u00e9 impercept\u00edvel e autom\u00e1tica, Fonseca usou estudo realizado na Calif\u00f3rnia, que observou a quantidade de vezes que um grupo de universit\u00e1rios tateava a face. Em m\u00e9dia, isso aconteceu 23 vezes por hora por estudante, sendo a maioria na pele (36%); boca, (33%) e nariz e olhos (31%).<\/p>\n<p>O causador da covid-19 permanece vivo em superf\u00edcies, em m\u00e9dia, durante dois dias, em materiais como papel\u00e3o e papel. Contudo, trabalhos recentes apontam maior perman\u00eancia \u2013 72 horas \u2013 em a\u00e7o inoxid\u00e1vel (principal material para a produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7anetas) e em pl\u00e1stico. Se a m\u00e9dia de sobrevida do SARS-CoV-2 parece longa, os coronav\u00edrus causadores de resfriados e manifesta\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias menos comuns podem se manter vivos nos lugares por at\u00e9 nove dias.<\/p>\n<p>Para prevenir a doen\u00e7a, algumas subst\u00e2ncias funcionam bem na higieniza\u00e7\u00e3o, como \u00e1lcool l\u00edquido e em gel a 70%, \u00f3timo para reduzir a infectividade e a quantidade dos v\u00edrus; hipoclorito de s\u00f3dio e cloreto de benzalc\u00f4nio. \u201cEm outros contextos m\u00e9dicos, a clorexidina costuma ser muito eficaz, mas \u00e9 ruim na covid-19\u201d, explica Benedito Fonseca.<\/p>\n<p><strong>Patog\u00eanese \u00a0\u00a0 \u00a0<\/strong><br \/>\nO mecanismo fisiopatol\u00f3gico da infec\u00e7\u00e3o pelo SARS-CoV-2 ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecido. Uma das hip\u00f3teses, contudo, postula que o agente causador da covid-19 causa uma regula\u00e7\u00e3o negativa da express\u00e3o da enzima conversora da angiotensina 2. Com isso, sup\u00f5e-se que haveria \u00a0um descontrole da musculatura lisa dos vasos sangu\u00edneos, em especial, nos capilares pulmonares, causando vasodilata\u00e7\u00e3o e exsuda\u00e7\u00e3o de l\u00edquido para dentro dos alv\u00e9olos. V\u00e1rios estudos indicam que a les\u00e3o pulmonar decorre n\u00e3o s\u00f3 da a\u00e7\u00e3o direta do v\u00edrus sobre os pneum\u00f3citos, mas tamb\u00e9m pela a\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sistema imune, pois observa-se uma resposta imune descontrolada nos casos graves da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao fen\u00f3tipo cl\u00ednico resultante, quando infectados, 80% dos indiv\u00edduos v\u00e3o desenvolver uma forma mais leve da doen\u00e7a, que vai desde um quadro de resfriado simples, at\u00e9 algo semelhante \u00e0 gripe. Cerca de 20% v\u00e3o apresentar formas mais graves da doen\u00e7a, sendo que at\u00e9 5% poder\u00e3o sofrer por um quadro extremamente grave, com necessidade de admiss\u00e3o em UTI, com altera\u00e7\u00f5es pulmonares.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o acomete apenas o pulm\u00e3o, alterando, entre outras, as fun\u00e7\u00f5es hep\u00e1tica e card\u00edaca \u2013 podendo culminar em miocardite.<\/p>\n<p><strong>Testes laboratoriais e imunidade ao v\u00edrus<\/strong><br \/>\nConforme diretrizes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a covid-19 pode ser confirmada pelos crit\u00e9rios laboratoriais e, na aus\u00eancia de teste, cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos exames laboratoriais, alguns testes foram criados, como RT-PCR (do ingl\u00eas<em>\u00a0Reverse-Transcriptase Polymerase Chain Reaction<\/em>), considerado padr\u00e3o-ouro no diagn\u00f3stico da covid-19, cuja confirma\u00e7\u00e3o \u00e9 obtida atrav\u00e9s da detec\u00e7\u00e3o do RNA do SARS-CoV-2 na amostra analisada, de prefer\u00eancia, obtida de raspado (swab) de naso e orofaringes. O exame detecta o genoma do pr\u00f3prio v\u00edrus, apresenta um n\u00edvel de seguran\u00e7a elevado, assim como sensibilidade e especificidade altas, embora seja menos sens\u00edvel nos primeiros dias da doen\u00e7a e quando a coleta do material n\u00e3o \u00e9 feita adequadamente. \u00a0Vale lembrar que as amostras coletadas por swab devem ficar em geladeira, entre 2 a 8 graus c\u00e9lsius por no m\u00e1ximo 72 horas. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, a qualidade das amostras diminui e, portanto, estas devem ser armazenadas em freezers de temperaturas ultrabaixas.<\/p>\n<p>J\u00e1 os testes sorol\u00f3gicos, feitos com amostra sangu\u00ednea, verificam a resposta imunol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, o que \u00e9 feito a partir da detec\u00e7\u00e3o de anticorpos IgA, IgM e IgG em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>Os mais usados s\u00e3o os chamados testes r\u00e1pidos, dispon\u00edveis em dois tipos: de ant\u00edgeno (que detectam prote\u00ednas do v\u00edrus na fase de atividade da infec\u00e7\u00e3o) e os de anticorpos (que identificam uma resposta imunol\u00f3gica do corpo em rela\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus). Apesar de obterem resultado mais r\u00e1pido \u2013 e agilizar condutas m\u00e9dicas \u2013 a desvantagem consiste em sua sensibilidade, que vai de 70% a 80%.<\/p>\n<p>Qual teste ser\u00e1 empregado, diz Benedito Fonseca, vai depender da fase da doen\u00e7a. Perante quadro agudo o melhor \u00e9 o PCR, cujo resultado mais confi\u00e1vel acontece quando \u00e9 feito cerca de dez dias ap\u00f3s o aparecimento dos sintomas. Em fase de convalesc\u00eancia \u00e9 sugerido o teste sorol\u00f3gico, pois o PCR negativou, enquanto os anticorpos permanecem no plasma do paciente.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 testar quem tem sintomatologia ao v\u00edrus e aqueles que mantiveram contato com pessoa infectada, como o profissional de sa\u00fade que cuida dela e os contactantes do paciente. \u00a0Como ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis vacinas e\/ou drogas para tratamento \u00e9 essencial a testagem em massa, incluindo oligossintom\u00e1ticos ou assintom\u00e1ticos, para prevenir a dissemina\u00e7\u00e3o viral, por isolamento social. Testar apenas pacientes sintom\u00e1ticos graves, al\u00e9m de levar \u00e0 subnotifica\u00e7\u00e3o, dificulta no controle da epidemia.<\/p>\n<p>O teste sorol\u00f3gico ideal seria aquele que detecta anticorpos neutralizantes, ou seja, capazes de impedir a infec\u00e7\u00e3o viral. O resultado desse teste poderia indicar que o paciente passou pela a doen\u00e7a e que se tornou imune a ela. Esse paciente, assim, ao menos em tese, estaria apto a retornar \u00e0 for\u00e7a de trabalho cerca de 72 depois do desaparecimento dos sintomas. \u00a0\u201cQuando \u00e9 feito um ELISA (do ingl\u00eas,\u00a0<em>Enzyme-Linked Immunosorbent Assay<\/em>) ou teste r\u00e1pido, sabemos apenas que o paciente tem anticorpos, mas n\u00e3o se eles s\u00e3o capazes de neutralizar o v\u00edrus, o que \u00e9 apenas presumido diante de um resultado positivo\u201d, explica o virologista.<\/p>\n<p>Por quanto tempo tais anticorpos v\u00e3o continuar no organismo \u00e9 algo que ainda est\u00e1 sendo estudado. Trabalho realizado na China, do qual participaram 34 pacientes, estabeleceu em seu desenho coletas de sangue entre dois e 39 dias do in\u00edcio dos sintomas, dosadas por quimioluminesc\u00eancia. Foi observado que o anticorpo IgM apresentou um pico em torno da primeira semana e, a partir da segunda, come\u00e7ou a cair. \u00a0Em torno de 7 ou 8 semanas, desapareceu. O IgG, por sua vez, foi subindo lentamente e se manteve em concentra\u00e7\u00e3o significativa, sugerindo que a imunidade deve ser duradoura.<\/p>\n<p>Acredita-se tamb\u00e9m que pacientes portadores de anticorpos neutralizantes possam fazer doa\u00e7\u00e3o de plasma hiperimune. V\u00e1rios protocolos de drogas sup\u00f5em que esse plasma impediria, pela presen\u00e7a desses anticorpos, a infec\u00e7\u00e3o viral de novas c\u00e9lulas, al\u00e9m de contar com componentes antiinflamat\u00f3rios, pass\u00edveis de ajudar na conten\u00e7\u00e3o da tempestade de citocinas que pode ocorrer em pacientes graves.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, antes de serem disponibilizados testes em larga escala, \u00e9 necess\u00e1rio refletir sobre o que as pessoas v\u00e3o fazer com a informa\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o positivas. \u201cInterpretar os resultados e contar com a certeza sobre covid-19 \u00e9 algo complicado. Se o paciente fizer o teste antes da hora, ou se contarmos com a sensibilidade dos atuais testes r\u00e1pidos (entre 70% e 80%) existem chances bem altas de falsos-negativos\u201d, informa o professor. Nesses casos, se o paciente suspeito de ter contra\u00eddo o v\u00edrus testar negativo, preconiza-se repetir o exame, dias depois, pois, diante de forte suspeita, deve-se interpretar com cautela um resultado como esse. Isso ocorre porque um resultado falso-negativo poderia oferecer um falso reasseguramento quanto \u00e0 aus\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o, fazendo com que o paciente permane\u00e7a em livre circula\u00e7\u00e3o e infecte outras pessoas. Reflexo disso tamb\u00e9m \u00e9 o fato de o Center for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA, por exemplo, recomendar pelo menos dois PCRs negativos para tirar o paciente do isolamento.<\/p>\n<p><strong>Libera\u00e7\u00e3o do isolamento<\/strong><br \/>\nEm si, a remo\u00e7\u00e3o do isolamento apresenta desafios. Em geral, os protocolos se baseiam em crit\u00e9rios temporais e cl\u00ednicos. J\u00e1 os protocolos que incluem o PCR como crit\u00e9rio, contudo, exigem geralmente dois testes negativos. Tal exig\u00eancia, contudo, pode fazer com que pacientes que teriam condi\u00e7\u00f5es de libera\u00e7\u00e3o \u2013 mas mant\u00eam-se com PCR positivos \u2013 permane\u00e7am por muito tempo em um leito de isolamento que poderia ser ocupado por outros pacientes.<\/p>\n<p>Para superar tal situa\u00e7\u00e3o, uma poss\u00edvel alternativa seria desenhar um teste de PCR capaz de detectar fita negativa do genoma do v\u00edrus, que indica que est\u00e1 havendo replica\u00e7\u00e3o viral. Um trabalho alem\u00e3o com um grupo reduzido de pacientes usou a detec\u00e7\u00e3o das fitas negativas de RNA do v\u00edrus, demonstrando que, a partir do 5\u00ba dia do isolamento, n\u00e3o foi mais detectado RNA subgen\u00f4mico. No 8\u00ba n\u00e3o foi mais poss\u00edvel isolar o v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Existe algum componente de SARS-CoV-2 vinculado ao HIV?<\/strong><br \/>\nA suspeita foi levantada pelo virologista franc\u00eas Luc Montagnier \u2013 pr\u00eamio Nobel de Medicina em 2008 \u2013 que, em resumo, afirmou que o respons\u00e1vel por covid-19 \u201cfoi projetado em laborat\u00f3rio e cont\u00e9m alguns genes do HIV\u201d.<\/p>\n<p>Ao responder sobre o fundamento cient\u00edfico da afirma\u00e7\u00e3o, o professor Benedito Fonseca considerou que a complexidade do atual coronav\u00edrus \u00e9 alta demais para que seja manipulado geneticamente. \u201cO material gen\u00e9tico do coronav\u00edrus traz uma s\u00e9rie de prote\u00ednas acess\u00f3rias que outros n\u00e3o trazem, assim como o do HIV apresenta caracter\u00edsticas que os outros retrov\u00edrus n\u00e3o possuem. \u00a0Assim, podemos entender talvez tenha havido uma evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica desses v\u00edrus, mas nenhuma manipula\u00e7\u00e3o proposital\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CREMESP Por se tratar de uma doen\u00e7a nova, portanto, cuja hist\u00f3ria natural e consequ\u00eancias ainda est\u00e3o sendo decifradas no mundo, a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus SARS-CoV-2<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13119,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[89,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13117"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13117"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13120,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13117\/revisions\/13120"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}