{"id":8979,"date":"2019-08-22T14:56:22","date_gmt":"2019-08-22T17:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/?page_id=8979"},"modified":"2019-09-04T06:53:23","modified_gmt":"2019-09-04T09:53:23","slug":"casos-comuns","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cipe.org.br\/novo\/casos-comuns\/","title":{"rendered":"Casos comuns"},"content":{"rendered":"<p>A Cirurgia Pedi\u00e1trica \u00e9 um campo muito vasto. Trabalha com crian\u00e7as de todas as idades, desde beb\u00eas at\u00e9 adolescentes, e ainda com aconselhamento fetal e atendimento de adultos que ainda t\u00eam problemas decorrentes de doen\u00e7as cong\u00eanitas. Isso faz do nosso trabalho um capo extremamente variado de atua\u00e7\u00e3o, mas alguns problemas cl\u00ednicos s\u00e3o mais frequentes. Vamos falar de alguns deles abaixo, mas lembramos que nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas de prestar informa\u00e7\u00f5es gerais: a suspeita cl\u00ednica ou de familiares precisa, para esclarecimento correto, de uma consulta com um cirurgi\u00e3o pedi\u00e1trico, para, ao mesmo tempo, confirmar o diagn\u00f3stico e oferecer um progn\u00f3stico e um planejamento para o tratamento.<\/p>\n<p><b>FIMOSE<\/b>\u00a0\u00e9 quando a pele da por\u00e7\u00e3o final do p\u00eanis (prep\u00facio) termina num anel muito estreito, que n\u00e3o pode ser retra\u00edda para permitir que a glande (cabe\u00e7a) seja completamente exposta. \u00c9 muitas vezes confundida com a presen\u00e7a de ader\u00eancias entre a glande e o prep\u00facio, que tamb\u00e9m n\u00e3o permitem que a pele se desloque sobre a glande, mesmo sem haver um estreitamento (anel) na pele. Estas ader\u00eancias s\u00e3o normais em beb\u00eas pequenos, e melhoram progressivamente com o amadurecimento da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Muitos pais ficam preocupados com a possibilidade de uma doen\u00e7a muito cedo: algumas crian\u00e7as demoram mais tempo que as outras para expor a cabe\u00e7a do p\u00eanis. Existe uma cren\u00e7a de que a tentativa for\u00e7ada de afastar a pele e expor a glande (&#8220;massagem&#8221;) ajude. S\u00f3 que isto n\u00e3o \u00e9 verdade: este procedimento acaba causando micro-fraturas que ao cicatrizar, podem estreitar o anel gerando, a\u00ed sim, uma fimose real, por causa das v\u00e1rias pequenas cicatrizes geradas pelo trauma repetitivo sobre a pele. O melhor conselho com rela\u00e7\u00e3o aos meninos pequenos \u00e9 evitar assaduras de fralda e traumas locais, mantendo uma boa higiene com sabonete neutro e aguardar o processo natural de amadurecimento, que acontece at\u00e9 os 3-4 anos de idade na maioria das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Se o deslocamento natural n\u00e3o acontecer, a cirurgia pode se tornar indicada, porque uma fimose verdadeira persistente pode trazer problemas para a higiene local (o que, num prazo muito longo, causa doen\u00e7as, inclusive o c\u00e2ncer de p\u00eanis, que, comprovadamente, est\u00e1 ligado \u00e0 higiene ruim e \u00e0 presen\u00e7a do v\u00edrus HPV), facilitar a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias e inflama\u00e7\u00f5es locais (balanopostites), trazer problemas para a vida sexual futura (dor, por causa do estreitamento da pele, que causa uma constri\u00e7\u00e3o do p\u00eanis em ere\u00e7\u00e3o) e parafimoses (a impossibilidade de trazer a pele novamente para a posi\u00e7\u00e3o habitual depois de uma retra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, causando uma compress\u00e3o da glande, que fica &#8220;presa&#8221;).<\/p>\n<p><b>H\u00c9RNIA INGUINAL<\/b>\u00a0\u00e9 uma doen\u00e7a muito frequente, e acontece em mais de 1 em cada 100 crian\u00e7as, acometendo 4 vezes mais os meninos do que as meninas. \u00c9 muito mais comum em beb\u00eas prematuros: quase um ter\u00e7o deles tem a doen\u00e7a. Geralmente o que se nota \u00e9 um &#8220;caro\u00e7o&#8221; ou &#8220;incha\u00e7o&#8221; na regi\u00e3o inguinal (virilha), principalmente quando a crian\u00e7a faz for\u00e7a (choro ou evacua\u00e7\u00e3o nos beb\u00eas).<\/p>\n<p>Assim que constatada a doen\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio fazer a cirurgia. Ainda que algumas pessoas, por receio, pretendam aguardar o crescimento dos beb\u00eas para que eles sejam operados, esta \u00e9 uma m\u00e1 id\u00e9ia: 75% das complica\u00e7\u00f5es graves das h\u00e9rnias inguinais (estrangulamentos) acontecem nos beb\u00eas, principalmente nos primeiros tr\u00eas meses de vida. Ademais, a anestesia geral em crian\u00e7as pequenas \u00e9 segura, desde que feita em boas condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e por anestesista habilitado. As h\u00e9rnias inguinais n\u00e3o se curam espontaneamente, e n\u00e3o adianta aguardar uma melhora espont\u00e2nea, que n\u00e3o vai acontecer.<\/p>\n<p>Um\u00a0 estrangulamento (h\u00e9rnia estrangulada) acontece quando uma v\u00edscera qualquer (em geral um peda\u00e7o do intestino) fica presa no canal por onde a h\u00e9rnia sai, e passa a ter seu suporte sangu\u00edneo comprimido e insuficiente, correndo o risco de necrosar (morrer) dentro da h\u00e9rnia. Voc\u00ea pode suspeitar de um epis\u00f3dio de estrangulamento quando a crian\u00e7a, em geral sabidamente portadora de uma h\u00e9rnia, sente uma dor local muito intensa e vomita repetitivamente. A h\u00e9rnia se mostra persistentemente, o conte\u00fado fica tenso, endurecido, e a palpa\u00e7\u00e3o \u00e9 dolorosa. Com o passar do tempo a regi\u00e3o fica avermelhada, inflamada. Este quadro \u00e9 mais frequente em beb\u00eas do que em crian\u00e7as maiores. O tratamento nestes casos, quando a redu\u00e7\u00e3o (coloca\u00e7\u00e3o da v\u00edscera presa de volta na cavidade abdominal) \u00e9 imposs\u00edvel \u00e9 uma cirurgia de urg\u00eancia, que tem maior risco do que uma cirurgia marcada (eletiva). Um outro problema frequente ap\u00f3s o estrangulamento de uma h\u00e9rnia \u00e9 a atrofia do test\u00edculo do mesmo lado, cujos vasos sangu\u00edneos nutridores ficam comprimidos enquanto a h\u00e9rnia n\u00e3o \u00e9 reduzida, por manobras de compress\u00e3o ou cirurgia.<\/p>\n<p>O tratamento de uma h\u00e9rnia inguinal \u00e9 sempre cir\u00fargico, e o que o cirurgi\u00e3o faz, atrav\u00e9s de uma pequena incis\u00e3o na virilha, \u00e9 descolar o saco da h\u00e9rnia das estruturas vizinhas e lig\u00e1-lo (amarr\u00e1-lo) na regi\u00e3o de sua origem no abdomen, para que n\u00e3o possa mais conduzir as v\u00edsceras pelo canal da h\u00e9rnia. \u00c9, normalmente, uma cirurgia ambulatorial, com interna\u00e7\u00e3o hospitalar muito curta.<\/p>\n<p><strong>H\u00c9RNIA UMBILICAL <\/strong>\u00e9\u00a0uma protuber\u00e2ncia na regi\u00e3o da cicatriz umbilical. Comum em beb\u00eas, ocorre em 10 a 20% de todas as crian\u00e7as. Baixo peso ao nascer e prematuros s\u00e3o mais propensos a ter h\u00e9rnia umbilical.<\/p>\n<p>O local em que o cord\u00e3o umbilical se liga ao corpo do feto \u00e9 chamado de anel umbilical que \u00e9 formado por m\u00fasculos e outros tecidos. Este anel geralmente se fecha antes de o beb\u00ea nascer. Se os m\u00fasculos n\u00e3o se unem completamente na linha m\u00e9dia do abd\u00f4men, essa fraqueza na parede abdominal pode provocar uma h\u00e9rnia umbilical ao nascimento ou um pouco mais tarde ap\u00f3s o nascimento.<\/p>\n<p>Normalmente s\u00e3o assintom\u00e1ticas e se fecham espontaneamente aproximadamente at\u00e9 os 18 meses.<\/p>\n<p>Nas crian\u00e7as a cirurgia \u00e9 reservada para os casos em que:<\/p>\n<ul>\n<li>s\u00e3o dolorosas<\/li>\n<li>s\u00e3o maiores do que 1,5cm de di\u00e2metro<\/li>\n<li>n\u00e3o diminuem de tamanho entre os 12 e 18 meses de idade<\/li>\n<li>n\u00e3o desaparecem at\u00e9 os 3 anos de idade<\/li>\n<li>e, em raros casos, necess\u00e1rio cirurgia de emerg\u00eancia por se prendem aos intestinos e causarem bloqueio no tr\u00e2nsito intestinal<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>FREIO LINGUAL CURTO:<\/strong> freio lingual ou fr\u00eanulo da lingua \u00e9 uma estrutura anat\u00f4mica importante para a suc\u00e7\u00e3o, fala e alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma membrana mucosa que liga a face inferior da l\u00edngua ao assoalho bucal. Quando ele se encontra espessado, ou curto, levando a limita\u00e7\u00e3o parcial da mobilidade lingual ou ent\u00e3o a ades\u00e3o da l\u00edngua ao assoalho da boca, \u00e9 chamado de <strong>anciloglossia<\/strong>, popularmente conhecido como l\u00edngua presa. Quando esta membrana est\u00e1 muito pr\u00f3xima da ponta da l\u00edngua, esta pode parecer bifurcada ou em forma de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aproximadamente um em cada 10 beb\u00eas nasce com algum grau de l\u00edngua presa. Mas menos da metade dessas crian\u00e7as ir\u00e1 apresentar comprometimento significativo da mobilidade da l\u00edngua levando a altera\u00e7\u00f5es da fala, devido \u00e0 dificuldade na articula\u00e7\u00e3o de algumas palavras.<\/p>\n<p>A l\u00edngua presa \u00e9 frequentemente diagnosticada atrav\u00e9s do exame f\u00edsico direto, observando a apar\u00eancia da l\u00edngua e habilidade de movimento lingual.<\/p>\n<p>Muitos beb\u00eas com a l\u00edngua presa n\u00e3o apresentam qualquer sintoma. Isso porque a membrana abaixo da l\u00edngua se desenvolve conforme a crian\u00e7a cresce ou ent\u00e3o ela se adapta \u00e0 restri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, algumas crian\u00e7as com l\u00edngua presa podem apresentar:<\/p>\n<ul>\n<li>Problemas para sugar o leite da m\u00e3e durante a amamenta\u00e7\u00e3o (muito raramente)<\/li>\n<li>Espa\u00e7o entre os dentes inferiores da frente<\/li>\n<li>Problemas na fala, principalmente nas palavras com as letras T, D, Z, S, N e L<\/li>\n<li>Problemas pessoais ou sociais relacionados com o movimento restrito da l\u00edngua, tais como bullying<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es relatadas acima o tratamento \u00e9 cir\u00fargico, atrav\u00e9s de uma incis\u00e3o nessa membrana espessada e\/ou encurtada. Procedimento chamado de frenotomia lingual.<\/p>\n<p><b>HIPOSP\u00c1DIA<\/b> \u00e9 uma m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita, onde a uretra masculina tem um desenvolvimento incompleto no feto, de forma que o meato urin\u00e1rio (orif\u00edcio de sa\u00edda da urina) fica &#8220;mais para tr\u00e1s&#8221; no p\u00eanis. Junto com a localiza\u00e7\u00e3o anormal do meato h\u00e1 um desenvolvimento anormal da pele (o prep\u00facio \u00e9 assim\u00e9trico, maior de um lado do que do outro, e parece um capuz) e pode haver uma curvatura do p\u00eanis para baixo, que \u00e9 mais not\u00e1vel durante a ere\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as com hiposp\u00e1dia n\u00e3o devem ser circuncidadas, porque a pele do prep\u00facio pode ser usada futuramente na reconstru\u00e7\u00e3o do p\u00eanis, que deve ser feita idealmente entre os 6 e 12 meses de idade da crian\u00e7a e estar completa antes da idade escolar, para minimizar traumas psicol\u00f3gicos e sociais. Esta cirurgia \u00e9 bastante delicada e complica\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o comuns, mas os resultados finais s\u00e3o bons de forma geral.<\/p>\n<p><b>TEST\u00cdCULOS N\u00c3O DESCIDOS<\/b> algumas crian\u00e7as nascem sem os test\u00edculos na bolsa escrotal (saco). Abaixo, voc\u00ea pode conferir as principais causas de bolsa escrotal vazia:<\/p>\n<p><b>Prematuridade<\/b>\u00a0Os test\u00edculos n\u00e3o tiveram tempo de descer, mas o problema pode se resolver espontaneamente nos primeiros meses de vida;<\/p>\n<p><b>Criptorquia<\/b> verdadeira Os test\u00edculos, que t\u00eam origem dentro do abdomen, n\u00e3o completaram o processo de descida desde l\u00e1 at\u00e9 o fundo da bolsa escrotal;<\/p>\n<p><b>Test\u00edculos ect\u00f3picos<\/b>: Os test\u00edculos tiveram um trajeto errado de descida e se fixaram num local inadequado (raiz da coxa, per\u00edneo, p\u00eanis, no outro lado da bolsa escrotal ou na regi\u00e3o da virilha);<\/p>\n<p><b>Test\u00edculos retr\u00e1teis ou migrat\u00f3rios<\/b>: Os test\u00edculos se movem entre a bolsa escrotal e a virilha, a partir da atividade do m\u00fasculo cremaster, que faz parte do cord\u00e3o esperm\u00e1tico (estrutura que conduz a nutri\u00e7\u00e3o vascular dos test\u00edculos);<\/p>\n<p><b>Test\u00edculos ascendentes<\/b>: Os test\u00edculos, que estavam normalmente localizados ao nascimento, ascendem para uma localiza\u00e7\u00e3o anormal durante o processo de crescimento;<\/p>\n<p><b>Anorquia<\/b>: O test\u00edculo n\u00e3o existe, porque n\u00e3o se formou embriologicamente (raramente) ou porque houve uma tor\u00e7\u00e3o do test\u00edculo fetal, que ent\u00e3o se atrofiou completamente.<\/p>\n<p>Uma informa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que as fun\u00e7\u00f5es do test\u00edculo n\u00e3o sofrem grande altera\u00e7\u00e3o nos casos de problemas unilaterais: a fertilidade e a s\u00edntese de horm\u00f4nios \u00e9 normal nestes casos. J\u00e1 nos casos de doen\u00e7a bilateral a fertilidade \u00e9 muito prejudicada, e o tratamento deve ser o mais precoce poss\u00edvel, para diminuir os preju\u00edzos.<\/p>\n<p>At\u00e9 6 meses de vida os test\u00edculos cr\u00edpticos podem nascer naturalmente, em especial nos prematuros. Ap\u00f3s este per\u00edodo \u00e9\u00a0 a cirurgia deve ser feita, porque\u00a0 os test\u00edculos sofrem preju\u00edzos, com diminui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas que futuramente se diferenciar\u00e3o em espermatoz\u00f3ides (o que pode levar a infertilidade), t\u00eam maior risco de tor\u00e7\u00e3o, sofrem atrofia progressiva e t\u00eam um risco maior de tumores (em torno de 5 vezes a incid\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o normal).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cirurgia Pedi\u00e1trica \u00e9 um campo muito vasto. 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